É de cair os braços, torcedor!
Tem hora que ser vascaíno é um teste de paciência que nem o mais fiel dos monges aguentaria. Quando a gente acha que finalmente vai ter uma notícia boa, uma luz no fim do túnel, a vida vem e mostra que o túnel, na verdade, é um labirinto. O Vasco da Gama, nosso Gigante da Colina, tem acordos verbais, tudo apalavrado, com o técnico Franclim Carvalho e o volante Nelson Deossa. Mas adivinha? A bagunça jurídica que virou a nossa SAF está travando tudo.
É isso mesmo que você leu. Os reforços que a gente tanto precisa estão na porta, bateram, a gente abriu, mas eles estão com medo de entrar. E, para ser sincero, fica difícil culpar. A instabilidade virou o sobrenome do clube, e ninguém em sã consciência quer assinar um cheque em branco com o caos.
A Palavra Está Dada, Mas a Caneta Não Pinta
O nosso diretor Admar Lopes fez o trabalho dele. Foi ao mercado, negociou, convenceu. Apresentou o projeto do Vascão para Franclim Carvalho, hoje no comando do Botafogo, e para o volante Nelson Deossa, do Real Betis da Espanha. E conseguiu o que parecia difícil: o ‘sim’ de ambos. A papelada foi levada para a interventora judicial, Samantha Longo, que atualmente dá as cartas no futebol cruzmaltino após o afastamento de Pedrinho da SAF. Ela deu o aval. Autorizou as movimentações.
Então, qual o problema? O problema é que o mercado não é bobo. Tanto o treinador quanto o clube espanhol olham para São Januário e veem uma névoa de incerteza. Assinar um contrato com um clube administrado por uma interventora judicial? Para eles, é um risco que não estão dispostos a correr. A palavra foi dada, o aperto de mão foi simbólico, mas a caneta que assina o contrato continua guardada no bolso.
O Fantasma de Álvaro Pacheco e a Pergunta de Milhões: “Quem Manda Aqui?”
Franclim Carvalho, segundo a apuração, foi direto ao ponto. Ele gostou do projeto, da valorização salarial que o Vascão ofereceu e tem boa relação com Admar Lopes e até com o nosso ídolo Pedrinho. Mas ele tem memória. Ele lembrou da situação bizarra do seu conterrâneo, Álvaro Pacheco, que chegou ao clube em maio de 2024 bem no meio do furacão, quando Pedrinho tinha acabado de assumir a SAF e a 777 estava afastada.
A pergunta de Franclim é a mesma que todo vascaíno se faz: afinal, quem manda no Vasco? Ele deixou claro que só finaliza o negócio quando souber quem é o verdadeiro dono da caneta. É uma exigência justa. Ninguém quer ser a próxima vítima de uma guerra de poder que não é sua. Ninguém quer chegar hoje e ser demitido amanhã porque o ‘dono’ do clube mudou.
Deossa Quer Vir, o Betis Aceita, Mas a Desconfiança Reina
Se a situação com o técnico é frustrante, a do volante Nelson Deossa é de arrancar os cabelos. O negócio está ainda mais adiantado. Já existe um acerto com o jogador, que quer muito vestir a nossa camisa. E mais: já existe um acerto com o clube dele, o Real Betis. Os espanhóis aceitaram a proposta financeira do Gigante da Colina.
Parece perfeito, né? Mas os europeus, conhecidos por sua organização, olharam para a nossa situação jurídica e deram um passo para trás. Eles pedem garantias. Garantias sobre o futuro do futebol do Vasco, sobre quem vai honrar os pagamentos, sobre a estabilidade do comando. E essas são garantias que, hoje, nem a mais otimista das almas cruzmaltinas pode oferecer.
O resultado? O departamento de futebol, que fez sua parte, agora está de mãos atadas. As prioridades, um novo comandante e um cão de guarda para o nosso meio-campo, estão identificadas, negociadas, mas paralisadas por uma briga que acontece bem longe do gramado.
A Esperança é a Última que Morre, Mas Ela Está Cansada
Pessoas próximas a Pedrinho estão confiantes que a Justiça vai reverter a decisão e devolver o controle da SAF ao nosso presidente. Mas ‘confiança’ não é um documento legal. Não serve como garantia para um clube europeu ou para um técnico de ponta. É apenas… esperança.
Enquanto isso, o tempo passa. O campeonato não para pra esperar briga de cartola. A torcida, que nunca abandona, segue sofrendo e esperando por um desfecho. O Vasco tenta, nos bastidores, convencer Franclim e o Betis a confiarem na instituição, independentemente do desfecho jurídico. Mas é uma venda difícil, quase impossível.
Resta a nós, o povo cruzmaltino, torcer. Torcer para que a bola comece a rolar nos tribunais com a mesma urgência que ela rola em campo. Porque o Gigante precisa se levantar, e essa briga de poder está amarrando nossas pernas. Acorda, Vasco! A tua torcida não aguenta mais essa novela.
Informações com base em reportagem do ge.globo.com.