O Herói Improvável da Albirroja
Enquanto o torcedor vascaíno vive sua rotina de sofrimento e esperança, uma notícia vinda da Copa do Mundo nos enche de um orgulho agridoce. Lembra dele? Matías Galarza, aquela promessa que passou por São Januário, é hoje um dos heróis do Paraguai. E não foi em um jogo qualquer. O nosso ex-jogador foi o maestro na classificação histórica da seleção paraguaia sobre a poderosa Alemanha, garantindo vaga nas oitavas de final.
É de doer o coração e encher o peito ao mesmo tempo. Galarza, que começou a Copa como reserva na derrota para os Estados Unidos, agarrou a chance dada pelo técnico Gustavo Alfaro e não largou mais. Virou titular absoluto e a alma de um time que, assim como o Vascão, sabe o que é sofrer e lutar para dar a volta por cima.
Da Promessa em São Januário à Glória Mundial
A trajetória de Matías é daquelas que o futebol adora contar. Revelado pelo Olimpia, no Paraguai, ele foi vendido ainda na base para o Gigante da Colina. E quem não se recorda? O começo foi promissor, a gente se animou, achou que tínhamos um novo diamante em mãos. Mas, por aqueles mistérios que só o futebol e o Vasco proporcionam, ele não conseguiu se firmar.
Depois do nosso Vascão, rodou. Foi emprestado ao Coritiba, depois partiu para a Argentina, onde defendeu Talleres e até o gigante River Plate. Foi lá, na terra dos hermanos, que mesmo com instabilidade, ele ganhou a casca e a projeção necessárias para virar peça importante na seleção. Hoje, joga no Atlanta United, nos EUA, mas foi com a camisa da Albirroja que o mundo viu o talento que um dia pisou em nosso gramado.
Curiosamente, Galarza quebrou uma tradição na família. O pai, o avô e o irmão eram todos goleiros profissionais. O menino Matías escolheu o caminho do meio-campo, mas o futebol já estava no sangue: seu tio-avô, Ramón Mayeregger, defendeu o Paraguai na Copa do Mundo de 1958. O destino estava traçado.
A Noite Mágica Contra a Tetracampeã
A partida contra a Alemanha foi a coroação. Foi o dia em que Galarza mostrou ao mundo o seu valor. Foi dos pés dele que saiu o cruzamento perfeito para o gol de Julio Enciso, o gol que abriu o caminho para o milagre. Mas não foi só isso. Ele foi um leão na marcação, um gigante na criação, correndo o campo todo com a raça que a gente tanto pede aos nossos jogadores.
Na prorrogação, com a pressão alemã sendo insuportável, quem apareceu para acalmar o jogo? Ele mesmo. Segurando a bola, driblando, sofrendo faltas e gastando o relógio. E quando a decisão foi para os pênaltis, ele mostrou uma personalidade de veterano. Pegou a bola, olhou para o gigante Manuel Neuer no gol e bateu com uma frieza de gelar o sangue, convertendo sua cobrança. Que atuação, meus amigos! Que atuação!
Uma Lição de Resiliência para o Vascão?
A campanha do Paraguai nesta Copa é um espelho da carreira de Galarza. A seleção voltou ao Mundial após longos 16 anos e estreou com uma goleada dolorida para os Estados Unidos. Parecia que o sonho ia acabar cedo. Mas eles não desistiram. Mostraram um poder de reação absurdo, classificaram-se no sufoco, e agora derrubaram uma seleção tetracampeã do mundo.
A resiliência, essa palavra que todo vascaíno conhece bem, é a marca deste time paraguaio e de Matías Galarza. Vê-lo brilhar assim, sendo decisivo no maior palco do futebol, nos faz perguntar: o que faltou para esse talento explodir com a Cruz de Malta no peito? Faltou paciência? Faltou a oportunidade certa? A qualidade, como o mundo inteiro viu contra a Alemanha, ele sempre teve. Fica o orgulho pela cria, mas também a reflexão para o nosso Gigante da Colina. O talento, muitas vezes, já está dentro de casa.
Informações com base em reportagem do www.lance.com.br.