AGACHADO E AGITADO: As reações de Pedro Emanuel em estreia amarga do Vasco

Estreia com derrota, agachado na beira do campo e cobrando intensidade. Conheça as reações do novo 'mister' Pedro Emanuel no revés para o Vitória.

Pedro Emanuel em estreia pelo Vasco, contra o Vitória — Foto: Walmir Cirne/AGIF

Estreia com gosto de fel: a dor que não passa

Era para ser um recomeço. Era para ser o início de uma virada. Mas, para nós, torcedores do Vasco da Gama, a noite de quinta-feira foi mais um capítulo do sofrimento que parece não ter fim. A estreia do técnico português Pedro Emanuel foi marcada por uma derrota amarga de 1 a 0 para o Vitória, em pleno Barradão.

O resultado? O de sempre. O Gigante da Colina segue afundado na zona de rebaixamento, terminando o primeiro turno do campeonato na indigesta 17ª posição, com apenas 20 pontos. A pressão aumenta, a paciência diminui, mas a esperança, essa teimosa, se recusa a morrer.

Do silêncio agachado aos gritos: o estilo do novo comandante

Para o povo cruzmaltino, a partida foi a primeira chance de ver de perto como se comporta o nosso novo ‘mister’. E Pedro Emanuel não decepcionou no quesito intensidade. Foi uma montanha-russa de emoções na beira do gramado.

Nos primeiros minutos, uma imagem curiosa: o treinador passou boa parte do tempo agachado, observando o jogo em silêncio, como quem estuda cada movimento do adversário e dos seus próprios comandados. Uma calma que contrastava com a urgência da nossa situação.

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Mas essa tranquilidade era apenas a calmaria antes da tempestade. Logo o português se levantou e começou o seu show particular de cobranças, gestos e gritos. Uma energia que a gente espera ver dentro de campo.

A marcação cerrada no lado direito

Quem estava mais perto do banco de reservas ouviu bem. O lado direito do nosso ataque, com Puma Rodríguez e Adson, foi o principal alvo das instruções do treinador. A todo momento, Pedro Emanuel ajustava o posicionamento da dupla e cobrava, acima de tudo, uma coisa: intensidade.

Ele queria o time mordendo para ganhar a segunda bola, não deixando o adversário respirar. Era nítida a preocupação em corrigir uma defesa que, convenhamos, é uma peneira. O número não mente: sofremos 29 gols nos 18 jogos anteriores. Inaceitável para um clube com a nossa história.

Por isso, a comunicação com a zaga era constante. Cuesta e Robert Renan eram chamados a todo instante. Cada bola afastada, cada duelo vencido pela nossa defesa era motivo de vibração para o novo comandante. Ele sentiu o jogo como nós, da arquibancada.

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O calo no meio-campo: a dificuldade na criação

Se a defesa parecia receber atenção especial, o meio-campo era o ponto de maior incômodo. A dificuldade do Vascão em construir jogadas era visível, e Pedro Emanuel não escondia sua frustração.

O alvo principal das broncas era Rojas, que deveria ser o cérebro do time. Nuno Moreira, que ganhou a vaga de Andrés Gómez, também ouviu bastante. O ‘mister’ aproveitou até mesmo as pausas para atendimento médico para chamar a dupla e passar novas instruções. Não há tempo a perder, e ele parece saber disso.

A falha que doeu na alma e o apoio do chefe

O futebol, meus amigos, é cruel. O Vascão vivia seu melhor momento na partida quando, aos 23 minutos do segundo tempo, o castelo de cartas desmoronou. Barros, nosso volante, recebeu um passe de Robert Renan na entrada da área, vacilou, demorou a decidir e foi desarmado por Renato Kayzer. Cara a cara com Léo Jardim, o atacante deles não perdoou.

Foi um soco no estômago de cada vascaíno. E qual foi a reação de Pedro Emanuel? Surpreendentemente, foi de apoio. Sem caça às bruxas. Ele sabe que um erro individual não pode definir um trabalho.

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Prova disso é que, logo após o gol sofrido, Brenner fez uma bela jogada e tocou para Nuno Moreira, que finalizou por cima. Um lance que poderia ter mudado a história do jogo. Da beira do campo, o comandante aplaudiu forte. Um sinal de que ele está junto com os jogadores, para o bem e para o mal.

‘Só podemos ultrapassar com trabalho’

Na coletiva após a partida, o técnico português foi direto e sincero, como a gente gosta. Sem desculpas esfarrapadas, mas com o pé no chão. “Vou ser sincero, poderíamos ter feito mais principalmente em termos ofensivos. Defensivamente senti bastante rigor, os jogadores fizeram tudo que treinamos nesses últimos três dias”, declarou.

Ele completou com a frase que precisa ser o nosso mantra: “Hoje aconteceu o que é fruto no futebol: no momento menos bom as coisas vão nos acontecer. É viver e lidar com isso. Só podemos ultrapassar com trabalho”.

É isso. Não há fórmula mágica. O caminho para tirar o Gigante deste buraco é um só: trabalho, raça e comprometimento. O primeiro turno acabou, e a nossa realidade é a zona de rebaixamento. Agora, o foco se divide. Na próxima quarta-feira, temos o Independiente Medellín, na Colômbia, pela Copa Sul-Americana. É hora de virar a chave e mostrar a força do Vascão. Acreditamos até o fim!

Informações com base em reportagem do ge.globo.com.