É de cair o queixo, torcedor!
Tem coisas que só acontecem com o Vasco da Gama. Menos de um mês depois de encerrar sua passagem apagadíssima pelo Gigante da Colina, o meia Matheus França parece ter redescoberto o futebol. E como! O jogador foi o grande nome da goleada do Crystal Palace por 5 a 1 sobre o Swindon Town, neste sábado (18), marcando logo um hat-trick, três gols, no primeiro amistoso da pré-temporada inglesa.
A notícia cai como uma bomba para o povo cruzmaltino. Como pode um jogador que vestiu nossa camisa em 27 partidas e marcou um único e solitário gol, de repente, chegar na Inglaterra e precisar de um único jogo para superar essa marca? É o tipo de ironia que faz o vascaíno balançar a cabeça, incrédulo. A famosa e implacável ‘lei do ex’ atacando antes mesmo de um confronto direto.
Mas por que não jogou assim no Vascão?
A pergunta que fica no ar é dolorosa. Matheus França, de apenas 22 anos, chegou a São Januário em agosto de 2025 cercado de uma enorme expectativa. Acreditávamos que aqui, na nossa casa, ele recuperaria o futebol que o levou para a Premier League. Mas a realidade foi dura. O jogador nunca conseguiu se firmar, não assumiu o protagonismo esperado e passou a maior parte do tempo no banco de reservas, entrando esporadicamente.
Essa falta de sequência, claro, minou a confiança do atleta. O futebol é momento, é ritmo. E, vestindo a camisa cruz-maltina, ele raramente teve a oportunidade de engatar uma série de jogos como titular para mostrar seu valor. Agora, de volta ao seu clube, bastou uma oportunidade sob o comando do novo técnico, Pierre Sage, para ele mostrar um cartão de visitas impressionante.
Um único lampejo com a nossa camisa
Não dá para dizer que sua passagem foi um zero absoluto. Houve um momento, um único brilho que nos deu esperança. Foi em maio, na vitória pela Copa Sul-Americana contra o Audax Italiano. Entrando no intervalo, ele participou da reação do time e marcou seu primeiro e único gol pelo Almirante.
O lance foi bonito, é preciso admitir. Uma boa tabela com o português Nuno Moreira, uma primeira finalização defendida pelo goleiro Ahumada, e na insistência, ele estava lá, dentro da área, para receber novamente de Nuno e finalmente balançar as redes. Aquilo parecia um recomeço. Aquele gol encerrou um jejum pessoal de longos 399 dias sem marcar. O anterior tinha sido em abril de 2025, ainda pelo Crystal Palace, num empate contra o Southampton.
Porém, aquele gol foi um ponto fora da curva, um suspiro de alívio que não se transformou em uma nova fase. A diretoria do Vasco, àquela altura, já havia batido o martelo e decidido não renovar o empréstimo. O vínculo acabou, e Matheus França fez as malas de volta para a Inglaterra.
O futuro longe de São Januário
Agora, a história é outra. Com três gols na conta, ele inicia uma nova batalha por espaço no Crystal Palace para a temporada 2026/27. Na goleada, além dos três gols do nosso ex-jogador, o atacante Eddie Nketiah também marcou duas vezes, fechando o placar de 5 a 1.
Para nós, fiéis do Gigante, fica a sensação agridoce. Por um lado, é bom ver um jogador que passou por aqui se dando bem. Mas, por outro, a frustração é imensa. Por que esse futebol não apareceu no Caldeirão? Era a pressão da nossa camisa, que é para poucos? Faltou oportunidade por parte da comissão técnica da época? Ou simplesmente o ambiente não favoreceu?
São perguntas que talvez nunca tenham resposta. O fato é que Matheus França, que no Vasco foi coadjuvante, virou herói de um jogo na Inglaterra em um piscar de olhos. E a gente segue por aqui, na nossa luta diária, torcendo para que os jogadores que vestem a nossa camisa hoje honrem o manto com a raça e o talento que a torcida vascaína tanto merece. Vasco é coisa séria, e quem passa por aqui precisa entender isso.
Informações com base em reportagem do www.lance.com.br.