Tem dias que ser vascaíno é um teste de fé. E poucos entenderam isso tão bem quanto Andrés Gómez no empate amargo contra o Mirassol. O atacante, que tirou um golaço da cartola para salvar o time de um vexame ainda maior em São Januário, foi a voz da arquibancada na saída de campo. Com uma sinceridade que dói, ele resumiu o sentimento de todo o povo cruzmaltino: o problema do Vasco parece ir além das quatro linhas.
Em uma entrevista que já viralizou, o guerreiro colombiano não mediu palavras. ‘Estamos em uma situação difícil, complicada. Penso que é algo mais espiritual’, disparou Gómez, deixando claro que a luta do Gigante da Colina não é só contra os adversários, mas talvez contra forças que a gente nem consegue ver.
A fala dele é um soco no estômago de tão precisa. ‘Em todos os jogos temos mil oportunidades e o rival tem uma e faz um gol de escanteio. Isso acontece em todos os jogos’, completou. Quem aí não se sentiu representado? É o roteiro de um filme de terror que se repete, e o nosso atacante, o herói improvável da noite, colocou o dedo na ferida.
Um Primeiro Tempo de Sofrimento Puro
Antes do desabafo e do golaço, o que se viu em São Januário foi o de sempre: um time travado e uma torcida no limite da paciência. O primeiro tempo contra o Mirassol foi de dar sono, com o Vascão incapaz de criar perigo real. E como manda a cartilha do nosso sofrimento recente, o castigo veio pelo alto.
Numa cobrança de escanteio que parecia inofensiva, a zaga bateu cabeça. Barros e Pumita Rodríguez não se entenderam na primeira trave, e a bola sobrou limpa para Igor Formiga, que só teve o trabalho de desviar. Um gol bobo, irritante, que tirou Léo Jardim da jogada e jogou um balde de água fria no Caldeirão. No intervalo, as vaias ecoaram com justiça. Era o retrato da nossa agonia.
O Golaço que Acendeu a Chama da Esperança
A segunda etapa começou com o mesmo marasmo, com a impaciência da torcida virando quase desespero. O time parecia entregue, sem ideias, até que a genialidade individual falou mais alto. Foi aí que brilhou a estrela de Andrés Gómez.
Ele recebeu a bola, olhou para o gol e soltou uma bomba, um chute espetacular que morreu no ângulo. Indefensável. Um golaço que fez São Januário explodir e lembrou a todos da grandeza desta camisa. Por um momento, a esperança voltou. O Gigante acordou, inflamado pelo gol, e partiu para cima em busca da virada que parecia certa.
A Ousadia de Pedro Emanuel e o Risco do ‘Tudo ou Nada’
Com o time empurrado pela torcida, o técnico Pedro Emanuel resolveu apostar tudo. Sacrificou a segurança e deixou o meio-campo com apenas um volante de ofício, numa tentativa desesperada de sufocar o Mirassol. A intenção foi boa, mas a execução foi perigosa.
O Vasco se lançou ao ataque, criou chances, martelou, mas ao mesmo tempo abriu uma avenida para os contra-ataques do adversário. O jogo ficou aberto, um verdadeiro ‘lá e cá’ que poderia ter terminado em tragédia para o nosso lado. No fim, apesar da pressão e da vontade, o gol da virada não saiu. O apito final confirmou o 1 a 1, com gosto de derrota.
A Análise ‘Espiritual’ de um Time ‘Amarrado’
Ao final de tudo, o que ficou não foi o ponto somado, mas a reflexão profunda de Gómez. Suas palavras sobre a fase do time ser ‘algo mais espiritual’ e sobre estarmos ‘amarrados’ ecoam o que a torcida sente há tempos. Não é falta de raça de um ou outro, mas parece uma nuvem negra que se recusa a sair de cima de São Januário.
Criamos, lutamos, mas a bola não entra. O adversário chega uma vez e marca. É uma sina, uma maré de azar que parece não ter fim. O desabafo de Gómez não é apenas uma desculpa, é um diagnóstico de quem está lá dentro, sentindo na pele a mesma frustração que nós, aqui fora. Resta saber até quando essa penitência vai durar. A torcida vascaína, como sempre, seguirá acreditando. Porque Vasco é coisa séria, e a gente nunca abandona.
Informações com base em reportagem do www.lance.com.br.