Missão Cumprida no Caldeirão: Vencemos, mas…
Ufa! No apito final em São Januário, o sentimento de todo vascaíno era um só: alívio. Vencemos o Independiente Medellín por 1 a 0, gol do nosso guerreiro Thiago Mendes, e carimbamos o passaporte para as oitavas de final da Copa Sul-Americana. A missão foi cumprida, o Gigante segue vivo na competição. Mas não dá pra tapar o sol com a peneira, torcedor. A vitória, suada como sempre, deixou claro o retrato do Vasco sob o comando de Pedro Emanuel.
De um lado, uma defesa que finalmente parece ter encontrado um rumo, uma solidez que não víamos há tempos. Do outro, um ataque que sofre, que luta, mas que na hora do ‘vamos ver’, peca pela falta de criatividade e, principalmente, confiança. É a dualidade que vivemos: a segurança lá atrás e a agonia lá na frente.
Defesa de Ferro, Ataque de Palha?
Vamos dar o mérito a quem merece. O trabalho de Pedro Emanuel na organização defensiva é notável. Contra os colombianos, o time não foi verdadeiramente ameaçado. Nosso goleiro, Léo Jardim, foi praticamente um espectador de luxo, sem precisar fazer uma única defesa difícil. Isso não é sorte, é competência. É fruto de um sistema que protege a nossa área e sufoca o adversário.
O problema, meu caro cruzmaltino, começa quando recuperamos a bola. As movimentações ofensivas, por vezes, lembram velhos fantasmas de técnicos que já passaram pela Colina, como Fernando Diniz e Renato Gaúcho. Criamos jogadas promissoras, chegamos perto, mas a bola teima em não entrar. Chutes errados, passes mal decididos, aquela decisão final que sempre parece a errada. A ansiedade vira o nosso principal adversário em campo.
A Culpa é de Quem? Ansiedade, Confiança e a Diretoria
É fácil apontar o dedo para o técnico, mas a verdade é mais complexa. Pedro Emanuel treina, posiciona, mas não entra em campo para chutar a bola. A má fase do nosso setor ofensivo é um monstro de várias cabeças. Uma delas, gigantesca, é a falta de confiança. Nossos atacantes parecem carregar o peso do mundo nas costas, e isso trava as pernas na hora de finalizar.
Outra cabeça desse monstro é a demora da diretoria em agir. A janela de transferências está aí, e o Vascão precisa de reforços para o ataque como precisa de ar para respirar. A cúpula vascaína mostra dificuldade para fechar as negociações, e enquanto isso, sofremos com um elenco que, claramente, carece de opções de qualidade para o terço final do campo.
A exceção que confirma a regra nessa partida foi Paulo Henrique. O lateral, que já viveu altos e baixos com a nossa camisa, parece estar recuperando seu bom futebol. Foi para cima, driblou, criou e foi decisivo para o resultado. É a prova de que temos jogadores com potencial, mas que precisam de confiança para render.
O Gol da Justiça e o Recado do Mister
O gol da classificação tinha que ser assim, com a cara do Vasco: na raça. Saiu dos pés de Thiago Mendes, que começou o jogo como primeiro volante, naquela função de cão de guarda. Com a entrada de Jair na segunda etapa, ele foi liberado para avançar e, como um elemento surpresa, apareceu na área para estufar as redes. Não foi um gol, foi um desabafo. A sensação de justiça por um time que martelou e merecia a vitória.
Após o jogo, o próprio Pedro Emanuel deu o diagnóstico, com a honestidade que esperamos de um comandante: “Sabemos que temos que melhorar, mas hoje continua a nossa caminhada. Nos falta alguma serenidade para tomar decisões nos últimos 20 metros, principalmente dentro da área. Há muita ansiedade, queremos finalizar rápido no gol, mas isso faz parte do nosso momento. Mais do que tudo, estou satisfeito porque cumprimos um objetivo de seguir em frente”.
O mister sabe onde o calo aperta. Reconhecer o problema é o primeiro passo. Agora, é trabalhar para encontrar a solução.
E Agora, Gigante? O Caminho Para a Glória
A classificação nos dá um respiro, mas a realidade bate à porta com força. O potencial de melhora existe, mas ele depende de dois caminhos urgentes. O primeiro, a curto prazo, é a chegada de reforços. Não dá mais para esperar. Precisamos de jogadores que cheguem para resolver, para dar um choque de qualidade no nosso ataque.
O segundo caminho, mais trabalhoso, é recuperar quem já está aqui. Paulo Henrique mostrou que é possível. Mas e os outros? Jogadores que vivem em um ‘limbo’ precisam ser resgatados. A fonte menciona alguns exemplos que todos nós conhecemos bem:
- Marino Hinestroza
- Cuiabano
- Nuno Moreira
Esses atletas já mostraram que podem oferecer mais. É papel da comissão técnica e do próprio elenco recuperar a confiança desses caras. O Vascão precisa de todos.
O calendário não dá trégua. No próximo sábado, a batalha é outra, e o rival é indigesto. Enfrentaremos o Fluminense no Maracanã, pelo jogo de ida das oitavas de final da Copa do Brasil. É clássico, é decisão, é jogo para mostrar que o Gigante da Colina está, de fato, acordando. Com a defesa sólida que temos e um ataque que precisa urgentemente se encontrar, vamos para mais uma guerra. Porque ser Vasco é isso: lutar sempre, desistir jamais.
Informações com base em reportagem do ge.globo.com.