A vida do torcedor vascaíno é uma montanha-russa de emoções, e o último mês sob o comando de Pedro Emanuel é a prova viva disso. Se por um lado o coração do povo cruzmaltino se enche de orgulho com duas classificações heróicas em mata-matas, por outro, a alma sofre com a posição ingrata no Campeonato Brasileiro. Mas uma coisa mudou, vascaíno: a mentalidade. O nosso novo comandante português já deixou claro que o Gigante da Colina não nasceu para escolher batalhas.
Em menos de um mês de casa, o homem já mostrou a que veio. Ele retorna à Bahia, palco de sua estreia amarga com derrota para o Vitória, mas agora o cenário é completamente diferente. Desde aquele tropeço, o Almirante engatou uma sequência de cinco jogos sem perder, com um futebol que, aos poucos, resgata a nossa identidade guerreira.
O Vascão copeiro que a gente gosta de ver!
Vamos ser sinceros: nada anima mais a torcida vascaína do que um bom mata-mata. E Pedro Emanuel parece ter entendido isso rápido. Dos seus seis jogos no comando, quatro foram em competições eliminatórias. E que jogos!
Enfrentamos o Independiente Medellín na Sul-Americana e o nosso maior rival local, o Fluminense, na Copa do Brasil. Foram nesses confrontos de vida ou morte que o treinador português não só nos levou a duas classificações épicas, mas também encontrou a espinha dorsal de um time. Uma equipe que briga, que tem raça e que parece, finalmente, entender o peso da camisa que veste.
Essa sequência invicta de cinco partidas, construída em cima de duelos decisivos, trouxe de volta a confiança que andava perdida pelos corredores de São Januário. É esse espírito que precisamos levar para a guerra que se tornou o Brasileirão.
A dura realidade e os vacilos que custaram caro
Apesar da euforia nas copas, a nossa situação no Campeonato Brasileiro é crítica. Ocupar a 19ª posição é algo que machuca o orgulho de qualquer um que ama o Vasco. A primeira vitória na competição sob o novo comando ainda não veio, e é impossível não lembrar dos detalhes que nos tiraram pontos preciosos.
Contra o Vitória, na estreia de Emanuel, um jogo equilibrado foi decidido por uma falha individual de Cauan Barros, que entregou o ouro para o adversário no fatídico 1 a 0. Já em casa, no nosso Caldeirão, contra o Mirassol, dominávamos a partida até uma desatenção geral em uma bola parada de escanteio. Sorte nossa que temos Andrés Gómez, que tirou um golaço da cartola para garantir o empate em 1 a 1 no apagar das luzes. São esses vacilos que não podemos mais cometer.
‘Foi para isso que eu vim!’: O recado de Pedro Emanuel
Em meio à pressão pela situação no campeonato nacional, muitos poderiam pensar que o clube abriria mão das copas. Mas o nosso comandante português deu o papo reto, com a firmeza que a gente esperava. Após a classificação contra o Fluminense, ele foi claro e direto, como um soco na mesa.
“Nós não vamos abrir mão de nada, porque, se podemos conquistar um título, e foi para isso que eu vim para o Vasco, não vamos abdicar”, cravou o treinador. Ele sabe da nossa agonia, mas se recusa a diminuir a grandeza do clube. “Concordo perfeitamente, e também já disse, que a importância do campeonato (brasileirão) é fundamental para nós. Temos essa noção, temos essa consciência, mas vamos tentar não abrir mão de nada”, completou.
Essa é a mentalidade que queríamos! Chega de complexo de vira-lata. O Vasco é gigante e tem que entrar em tudo para ganhar.
Um elenco ‘90% preparado’ e sem ‘rodízio’
Pedro Emanuel também falou sobre a gestão do grupo, e a visão dele é animadora. Ele não gosta do termo ‘rodízio’, que muitas vezes soa como se estivéssemos poupando jogadores. Para ele, a questão é outra.
“Por isso mesmo, sinto que o grupo está 90% preparado para disputar as três competições, com rodízio. Eu não chamo tanto de rodízio. Chamo mais de dar oportunidades a quem precisa delas e está demonstrando que pode ser importante para a equipe”, explicou. Isso significa que todo jogador do elenco tem que estar pronto para a guerra, e quem mostrar serviço, joga. Simples assim. É a meritocracia da raça vascaína em campo.
A batalha de Salvador para respirar
Agora, todos os caminhos levam a Salvador. O confronto contra o Bahia não é apenas mais um jogo. É a nossa chance de ouro para, finalmente, sair dessa maldita zona de rebaixamento. Uma vitória é fundamental, mas não dependemos apenas de nós. Os fiéis do Gigante também estarão de olho nos resultados de Santos e Mirassol.
A missão é dura, mas com essa nova mentalidade injetada por Pedro Emanuel, a esperança se renova. É hora de transformar a boa fase das copas em resultado no Brasileirão. Vamos subir, Vascão! Acreditamos em você, comandante. Acreditamos nesse time. A batalha é agora!
Informações com base em reportagem do ge.globo.com.