Um grito de gol que morreu na garganta do vascaíno
Tem noites que parecem roteiro de filme de terror para a nossa torcida. Quinta-feira foi uma delas. O Caldeirão de São Januário pulsava, a torcida vascaína empurrava como sempre, mas o placar não saiu do zero. Vasco 0, Olimpia 0. Um resultado amargo, com gosto de derrota, principalmente por um lance. Um lance que vai assombrar os sonhos do povo cruzmaltino. Um lance que tem nome e sobrenome: Claudio Spinelli.
O que aconteceu aos 45 minutos do segundo tempo, no apagar das luzes, é difícil de descrever. É o tipo de jogada que faz a gente questionar tudo. O Gigante da Colina pressionava, buscava o gol da vitória que seria crucial para o jogo de volta das oitavas da Sul-Americana. E a bola de ouro caiu nos pés, ou melhor, na canela do nosso atacante.
Piton, com a raça de sempre, fez um cruzamento perfeito. A bola viajou na medida, encontrou Spinelli completamente livre, cara a cara com o gol, sem goleiro, sem zagueiro, sem desculpa. Era só empurrar para o fundo da rede e correr para o abraço. Mas o que vimos foi uma finalização constrangedora, de canela, que mandou a bola para qualquer lugar, menos para o gol. Um silêncio de incredulidade tomou conta de São Januário, seguido por uma explosão de revolta.
A IRA DO POVO CRUZMALTINO NA WEB
O apito final foi apenas o começo de outra batalha: a da torcida contra a paciência. Nas redes sociais, o nome de Spinelli virou o assunto mais comentado, e não foi por bons motivos. A fúria dos fiéis do Gigante foi implacável, com torcedores desabafando toda a frustração acumulada.
Frases como “o Spinelli é constrangedor” foram as mais leves. Outros foram mais duros: “O gol que o Spinelli perdeu NÃO EXISTE um atleta atacante profissional perder. Spinelli fora do Vasco hoje”. A dor do torcedor foi tão grande que comparações com atacantes do passado, que não deixaram saudades, foram inevitáveis. “Esse Spinelli consegue ser MUITO PIOR que Lucas Ribamar, que maluco pavoroso meu irmão”, desabafou um vascaíno.
Até quem tentava defender o jogador jogou a toalha: “Spinelli eu tento te defender mas tá difícil”. A conclusão de muitos foi amarga, colocando o argentino em um panteão negativo da nossa história: “o spinelli é MUITO pior que ribamar e pedro raul, vcs tem noção disso?”, questionou outro torcedor. A verdade é que o lance foi indefensável.
UM JOGO DE CHANCES PERDIDAS E UM GOLEIRO INSPIRADO
Seria injusto, porém, colocar a culpa do empate apenas em Spinelli. A verdade é que o Vascão criou, amassou o Olimpia em vários momentos, mas pecou na finalização de forma geral. O filme de terror começou logo aos 15 minutos do primeiro tempo, quando Rojas fez bela jogada pela direita e cruzou rasteiro para David, que chutou mascado e viu a bola morrer na linha de fundo. Mais um gol feito, desperdiçado.
O Almirante seguiu superior. Em cobrança de falta de Cuiabano, o uruguaio Puma Rodríguez apareceu como elemento surpresa e finalizou para uma defesaça de Gastón Olveira, o goleiro paraguaio que parecia uma muralha. O jogo teve até uma confusão generalizada após um lance entre Thiago Mendes e Fernando Cardozo, que esfriou um pouco os ânimos dentro de campo, mas não nas arquibancadas.
Ainda na primeira etapa, Nuno Moreira recebeu um passe açucarado de Thiago Mendes, chutou cruzado, mas parou novamente em Olveira. O goleiro deles estava em uma noite inspirada, fechando o gol.
PRESSÃO SEM EFETIVIDADE E A DECISÃO NO PARAGUAI
O segundo tempo começou com o mesmo roteiro: Vasco em cima. Logo aos dois minutos, David, de novo ele, mergulhou de cabeça e Puma quase marcou no rebote, na melhor chance da etapa final até então. O time seguia criando, com Cuiabano e Adson tentando furar o bloqueio, mas a bola teimava em não entrar. O Olimpia, acuado, só assustou em uma cabeçada aos nove minutos.
O time lutou, a torcida apoiou, mas o gol não veio. E quando a chance mais clara de todas apareceu, nos pés de Spinelli, o desfecho foi o mais cruel possível. Agora, a vida do Gigante da Colina na Copa Sul-Americana será decidida no Paraguai.
A pergunta que fica é: com um ataque que desperdiça oportunidades tão claras, como buscar um resultado fora de casa? A resposta está na nossa história, na nossa camisa e na nossa capacidade de nos reerguermos quando todos duvidam. Ser Vasco é acreditar até o fim. Que a raça vascaína que faltou na finalização apareça em dobro no jogo de volta. Vamos subir, Gigante!
Informações com base em reportagem do www.lance.com.br.