Um massacre sem gols no Caldeirão
Tem noite que o torcedor vascaíno sai de São Januário com o coração na mão e um gosto amargo de ‘e se?’. A noite desta quinta-feira, no empate em 0 a 0 com o Olimpia, pela Copa Sul-Americana, foi uma dessas. Foi dolorido, foi frustrante, foi a prova de que futebol, às vezes, não tem lógica. O Gigante da Colina amassou, pressionou, mas a bola teimou em não beijar a rede.
Os números não mentem, e eles gritam o tamanho do nosso drama. Foram 21 finalizações! Vinte e uma! Um recorde na era do técnico Pedro Emanuel. Nunca antes o time chutou tanto ao gol sob o comando do português. A marca anterior, de 20 chutes, foi contra o Mirassol, pelo Brasileirão. E a semelhança é cruel: naquele dia, também em nosso Caldeirão, saímos apenas com um empate por 1 a 1. Parece um roteiro repetido, uma maldição.
A estatística que dói: a gente devia ter vencido
Não foi só um bombardeio sem direção. Foi um ataque com chances reais, claras, daquelas que não se pode perder. A estatística de ‘gols esperados’ (o famoso xG) mostra que, pela qualidade das nossas chances, o placar deveria ter sido outro. A métrica apontou 2.19 de xG para o Vascão. Traduzindo do ‘estatistiquês’ para o bom português do torcedor: a gente deveria, na teoria, ter marcado pelo menos dois gols!
Mas a teoria, meu amigo, ficou no papel. Na prática, o que vimos foi um sistema ofensivo que parou em duas coisas: a noite inspirada do goleiro Olveira, do Olimpia, e a noite terrivelmente ruim dos nossos atacantes. Foram 7 chutes na direção do gol, mas o que fica na memória são as chances que nem chegaram perto.
David e Spinelli: a pontaria que desapareceu
É preciso dar nome aos bois, com toda a dor que isso causa. No primeiro tempo, David recebeu um passe açucarado de Rojas dentro da área. A torcida já se levantava, mas o chute saiu torto, sem direção, para desespero do povo cruzmaltino. Era a chance de abrir o placar e mudar a história do jogo.
Se a chance de David foi ruim, a de Spinelli no final do jogo foi de arrancar os cabelos. Completamente livre, recebendo um cruzamento na pequena área, ele conseguiu o impensável: finalizou de canela. A bola, que tinha o endereço certo, se perdeu. Um lance que resume a nossa frustração. Não dá para perdoar uma falha dessas em um mata-mata de Sul-Americana.
E agora, quem vai fazer o gol do Gigante?
O problema no ataque não é de hoje. É uma dor de cabeça que se arrasta desde o retorno do futebol pós-Copa do Mundo. Para piorar a situação, perdemos nosso herói recente. Brenner, o cara que nos deu a classificação épica contra o Fluminense na Copa do Brasil, está no estaleiro. Uma lesão no pé esquerdo vai tirá-lo de combate por, no mínimo, três semanas.
A esperança, como sempre, se renova. O recém-contratado Facundo Colidio, que veio do River Plate, surge como uma nova opção para o setor. Que ele chegue com a pontaria em dia, porque a nossa paciência está no limite. O 0 a 0 em casa nos obriga a buscar um resultado heroico no Paraguai. A classificação, que parecia encaminhada pelo volume de jogo, agora está em aberto. É hora de mostrar a raça vascaína e provar que o Almirante não se entrega. Mas, por favor, alguém ensina nossos atacantes a chutar no gol.
Informações com base em reportagem do ge.globo.com.