Aquele dilema que só o vascaíno entende
Ah, meu amigo cruzmaltino, ser Vasco é viver na corda bamba entre a glória e o desespero. Em uma semana, a gente atropela o Olimpia por 4 a 1, avança para as quartas de final da Copa Sul-Americana depois de 14 longos anos e sente o peito estufar de orgulho. Na outra, a gente olha a tabela do Brasileirão e o coração aperta. É essa a nossa vida, a vida de quem torce para o Gigante da Colina.
A goleada histórica em São Januário, que nos colocou de volta no mapa do futebol continental, trouxe junto uma pergunta que não quer calar: e agora? Com o Vascão vivo e pulsando na Sul-Americana, na Copa do Brasil e no Campeonato Brasileiro, o que fazer? O cobertor parece curto, e a torcida se divide.
A situação no Brasileirão é crítica, não vamos nos enganar. Ocupamos a penúltima posição, com míseros 22 pontos. Cada rodada é uma final, cada ponto é um tesouro na nossa luta desesperada para fugir da zona de rebaixamento. É uma realidade dura, que nos coloca, ao lado do Santos, como os únicos clubes da metade de baixo da tabela que ainda sonham com títulos em outras competições. É muita coisa pra um coração só, torcedor.
A resposta do Comandante: ‘Não vou abdicar!’
Em meio a esse turbilhão de emoções e planilhas, uma voz se levantou para botar ordem na casa: a do nosso técnico, Pedro Emanuel. Após a classificação épica sobre o Olimpia, o comandante foi questionado sobre a possibilidade de poupar jogadores nas copas para focar na salvação no Brasileirão. A resposta foi na lata, com a firmeza que a gente espera de quem comanda o Almirante.
“É lógico que tem um sentido de urgência no Brasileirão, é nossa competição maior. Temos a noção que, apesar de estar tudo equilibrado ainda, sei que temos que ‘arrepiar’ caminho, como costumo dizer”, admitiu o treinador, mostrando que não vive em outro planeta e sabe da nossa agonia na liga nacional.
Ele ainda lamentou o tropeço recente: “Não foi o jogo da virada como esperava contra o Santos”. Mas foi na sequência que ele mandou o recado que ecoou em São Januário e tranquilizou (ou preocupou ainda mais) o povo cruzmaltino. Pressionado sobre a possibilidade de largar as copas, Pedro Emanuel foi taxativo.
“Não vou abdicar, mesmo que a direção fale comigo sobre isso. Acho que seria injusto nesse momento e nessa fase abdicarmos seja do que for”, cravou o português. Uma declaração de guerra. Uma prova de que ele entendeu o que é o Vasco: um clube que nasceu para brigar em todas as frentes, que não escolhe batalhas.
A força do grupo é a nossa aposta
Para justificar sua decisão corajosa, Pedro Emanuel usou o próprio jogo contra o Olimpia como exemplo. A confiança no elenco é total, e ele fez questão de ressaltar isso. O Vascão não é feito de apenas onze jogadores, mas de um grupo que precisa estar pronto para lutar.
“Fizemos seis trocas nesse jogo e eles tiveram exibições fantásticas. É isso que alimento na nossa equipe. Todo mundo faz a nossa equipe ser melhor”, concluiu o técnico. E é verdade. Quem entrou, deu conta do recado e mostrou que quer um lugar ao sol. É com essa mentalidade, com essa união, que o comandante pretende encarar a maratona que vem pela frente.
E que maratona! Na Copa do Brasil, teremos o Vitória pela frente nas quartas de final. Na Sul-Americana, o desafio será ainda maior: esperamos o vencedor do duelo entre os gigantes River Plate e Independiente Santa Fe. E no Brasileirão… bom, no Brasileirão, cada jogo é uma final de Copa do Mundo. Não há tempo para respirar.
E aí, torcedor? Fechado com o Mister?
A decisão de Pedro Emanuel é polêmica, mas carrega o DNA vascaíno. Abandonar uma competição nunca foi do nosso feitio. O orgulho de ver a Cruz de Malta brilhando na América do Sul é algo que não tem preço, e a goleada sobre o Olimpia nos lembrou disso.
Por outro lado, o fantasma do rebaixamento assombra nossos sonhos. A prioridade máxima, para a sobrevivência do clube, é e sempre será a permanência na Série A. Será que nosso elenco tem profundidade e fôlego para aguentar essa pegada em três competições simultâneas? Será que a aposta do Mister não é arriscada demais?
A verdade é que não há resposta fácil. O que nos resta, como fiéis do Gigante, é apoiar. É acreditar no plano do comandante e na força dos nossos guerreiros. Que a raça demonstrada contra o Olimpia se multiplique. Vamos precisar dela. Em todas as frentes. Porque o Vasco é coisa séria, e nós nunca abandonamos.
Informações com base em reportagem do www.lance.com.br.