Sempre tem que ter emoção, né Vascão?
Ah, torcedor vascaíno… Se não for com sofrimento, não é Vasco. A noite de quarta-feira em São Januário tinha tudo para ser um passeio tranquilo, uma mera formalidade. Mas o Gigante da Colina, em sua essência, resolveu dar aquele tempero de drama que só a gente conhece. O empate em 2 a 2 com o Paysandu garantiu nossa vaga nas oitavas da Copa do Brasil, mas o coração do fiel torcedor foi testado mais uma vez.
Com a vantagem de 2 a 0 construída lá em Belém, era de se esperar uma noite de paz no nosso Caldeirão. E por um tempo, até foi. Mas o Vascão, com aquela mania de complicar o que é fácil, flertou com o perigo. A palavra do dia, dita pelo próprio técnico Renato Gaúcho, foi ‘acomodação’. E essa palavra quase nos custou caro.
O Colombiano que Ligou e Desligou o Jogo
Se um jogador personificou a montanha-russa de emoções da partida, esse alguém foi Marino Hinestroza. O colombiano, alvo de tantas expectativas e algumas críticas, finalmente mostrou a que veio. Pelo menos no primeiro tempo. Com uma atuação elétrica, ele foi o motor do time.
Primeiro, sofreu o pênalti que o maestro Johan Rojas converteu com categoria. Depois, serviu com açúcar o gol de Thiago Mendes. Em 45 minutos, Hinestroza parecia ter reencontrado o futebol que fez o Vasco investir em sua contratação. O próprio Renato Gaúcho não poupou elogios na coletiva, revelando o trabalho que vem sendo feito nos bastidores.
“Tenho conversado com o Marino, dado conselhos, lapidado… Hoje foi a melhor atuação dele no Vasco e torço para que volte a jogar o futebol que jogou na Colômbia. Aos poucos, ele vai readquirindo aquele futebol”, afirmou o nosso comandante. Era a redenção do atacante.
Mas, como no Vasco a alegria dura pouco, o mesmo Hinestroza protagonizou um lance inacreditável na segunda etapa. Com o jogo empatado e a torcida tensa, ele rouba a bola, avança e… inexplicavelmente, toca para trás. Do seu lado, David estava sozinho, com o gol escancarado, só esperando o passe para empurrar para as redes e selar a paz. Um lance que resume a noite: do céu ao inferno em segundos.
A ‘Acomodação’ que Quase Custou Caro
Com 2 a 0 no placar do jogo e 4 a 0 no agregado, o time relaxou. É humano, mas no futebol, é fatal. Brenner, que teve a chance de matar o jogo, perdeu duas oportunidades incríveis dentro da área que fariam até o mais calmo dos torcedores arrancar os cabelos. A punição, claro, veio a galope.
Um gol do Paysandu no finalzinho do primeiro tempo e outro logo no início do segundo. O que era uma festa virou um velório. A tranquilidade deu lugar a uma apreensão que tomou conta de São Januário. O time, que parecia dono do jogo, viu a vantagem evaporar e precisou correr atrás do prejuízo. A fragilidade técnica do adversário nos salvou de um vexame maior, mas o alerta está mais do que ligado.
A Bronca e a Sabedoria de Renato Gaúcho
Após o apito final, entre aplausos tímidos e algumas vaias, Renato Gaúcho foi para os microfones e deu o papo reto, como sempre. Reconheceu a falha coletiva, mas também colocou os pingos nos is, mostrando que o projeto está em andamento e que o desespero não leva a lugar nenhum.
“O torcedor quer ser campeão? Eu também. Trabalho para isso, mas não vamos colocar uma faixa no peito da noite para o dia”, desabafou o técnico. “A janela está vindo aí, vamos trabalhar. Classificamos na Copa do Brasil e estamos bem no Brasileirão. Precisamos melhorar? Sim. Mas, em comparação com o que estava, o Vasco está bem demais”, completou.
É a voz da razão em meio ao caos. Renato sabe que o caminho é longo e, segundo a análise, parece estar planejando até 2026, mostrando que o projeto é de longo prazo! O importante é que, mesmo aos trancos e barrancos, seguimos em frente. O rodízio do elenco, que já tinha dado certo contra o Audax Italiano, mais uma vez mostra seu valor, recuperando jogadores e dando fôlego para as batalhas que virão.
No fim, o objetivo foi cumprido. Estamos nas oitavas. Mas fica a lição: contra qualquer adversário, com a camisa do Vasco, não existe jogo fácil. É raça até o fim. Sempre foi e sempre será.
Informações com base em reportagem do ge.globo.com.