Parece roteiro de filme de terror, torcedor vascaíno. A gente luta, sofre, empurra o time, transforma São Januário num Caldeirão e, no fim, descobre que o inimigo pode estar morando em casa. Pior: debaixo dos nossos pés. O gramado de São Januário, nosso sagrado tapete, virou motivo de uma insatisfação GERAL no clube, e a paciência do Gigante da Colina parece ter se esgotado.
A informação, apurada pelos colegas do ge, é que a situação chegou a um ponto crítico. Atletas, comissão técnica de Renato Gaúcho e até a alta cúpula, com o presidente Pedrinho à frente, não aguentam mais a inconsistência do campo. A bronca tem alvo e nome: a empresa Greenleaf Gramados, responsável pela manutenção que está deixando todo o povo cruzmaltino de cabelo em pé.
O dilema da tesoura: nem alto, nem baixo
A discussão parece trivial, mas é o coração do problema: a altura da grama. Segundo a avaliação interna, não existe um meio-termo. Ou o Vascão entra em campo para jogar num ‘pasto’, com a grama alta demais, o que deixa o jogo lento, amarrado e previsível — um pesadelo para a dinâmica que a comissão técnica tenta implementar.
Ou então, na tentativa de corrigir, o corte é feito ‘baixo demais’. E aí, o que acontece? O campo fica irregular, a bola ganha vida própria, quica de forma bizarra e transforma uma simples recepção de bola numa aventura perigosa. Em resumo: nossos guerreiros entram em campo sem saber se vão encontrar um tapete ou uma armadilha. Jogar em casa virou uma loteria, e isso é simplesmente inaceitável.
A gota d’água: o gol contra de Saldivia
Toda panela de pressão tem um momento em que a tampa voa. E esse momento foi no jogo contra o Paysandu, pela Copa do Brasil. Aquele empate sofrido em 2 a 2, que nos deu a classificação, também trouxe à tona o lance que exemplificou o caos do gramado.
Aos 55 segundos do segundo tempo, o zagueiro Saldivia marcou um gol contra. Claro, há o reconhecimento do erro técnico do nosso defensor uruguaio, ninguém está cego. Contudo, a avaliação interna do clube é taxativa: o gramado foi um vilão na jogada. A bola quicou de forma veloz e traiçoeira, praticamente em cima do jogador, dentro da área. Uma ‘cama de gato’ armada pelo nosso próprio campo. É de deixar qualquer um maluco!
Esse lance serviu para a diretoria bater o martelo e dizer: ‘chega’. A insatisfação, que já era grande, virou uma cobrança formal e ruidosa. Não dá para um clube do tamanho do Vasco ser prejudicado por um fator que deveria ser um aliado.
Pedrinho bate o pé e futuro da Greenleaf é incerto
O incômodo não é de um ou dois. É um sentimento que percorre todos os corredores de São Januário. O presidente Pedrinho, que vive o Vasco na pele como poucos, está particularmente insatisfeito com a situação. A diretoria se reuniu novamente após o jogo contra o Paysandu para discutir o tema, e a possibilidade de uma troca de empresa já não é mais um sussurro, mas uma conversa em voz alta.
O mais irônico de tudo isso? A Greenleaf foi contratada no final do ano passado justamente para resolver um problema. Lembra daquele gramado manchado? Pois é. Eles fizeram uma troca completa, plantando uma nova espécie, a tal ‘Bermuda Celebration’, a mesma usada no nosso CT Moacyr Barbosa e em vários estádios de ponta do Brasil. A solução virou um novo e talvez pior problema. É o tipo de coisa que parece perseguir o Gigante.
Até quando, Vascão?
A pergunta que fica no ar é: até quando vamos ter que lutar contra os adversários e também contra as condições da nossa própria casa? São Januário é nosso templo, nossa fortaleza. O gramado tem que ser um aliado, um tapete para os nossos craques desfilarem, e não um campo minado que pune nossos próprios jogadores.
A cobrança da diretoria é um passo importante. A torcida vascaína, que nunca abandona, espera uma solução rápida e definitiva. Queremos nosso Caldeirão de volta, em sua plenitude. Um campo à altura da história e da grandeza do Club de Regatas Vasco da Gama. Porque vasco é coisa séria, e nosso campo também tem que ser.
Informações com base em reportagem do ge.globo.com.