Um soco no estômago do torcedor vascaíno
Tem noites que o futebol te abraça. Tem noites que ele te dá um soco no estômago, te joga no chão e ainda pisa em cima. A partida contra o Internacional, pela 16ª Rodada do Campeonato Brasileiro de 2026, foi uma dessas noites. Não foi uma derrota, foi um vexame. Uma humilhação televisionada que faz o sangue de qualquer um que ama o Vasco da Gama ferver. Saímos de campo com a alma lavada, mas não com água, e sim com vergonha.
Ver o Gigante da Colina ser presa fácil, com erros que não se admitem nem na várzea, é de uma dor indescritível. E o pior de tudo é quando os erros vêm de jogadores experientes, de quem se espera o mínimo de compostura. A torcida, que nunca abandona, merecia mais. Merecia raça, merecia luta, mas recebeu uma coleção de falhas bizarras e uma apatia que não condiz com nossa história.
Os Arquitetos do Desastre: Uma Análise Dolorosa
Não dá para passar pano. Precisamos apontar os responsáveis por essa noite de pesadelos. Alguns jogadores vestiram a camisa do Vasco, mas pareciam estar com a cabeça em outro planeta. Ou pior, pareciam estar jogando contra nós.
- Cuesta: O que dizer? Uma atuação que beirou o inacreditável, no mau sentido. Começou o desastre logo no primeiro gol do Inter, quando se antecipou de forma bizarra, perdeu na casquinha para Alerrandro e deixou Bernabei passar livre nas suas costas. Para completar a tragédia pessoal, passou o jogo perdendo bolas no alto para o mesmo Bernabei, um jogador com 10 cm a menos de altura. DEZ CENTÍMETROS! E para fechar a noite com chave de lata, uma tesoura desleal em Allex e a expulsão merecida. Um dia para ser esquecido, mas que ficará marcado na memória do torcedor.
- Léo Jardim: Nosso goleiro, que tantas vezes nos salvou, teve uma noite de vilão. O segundo gol do Internacional é 100% na sua conta. Uma saída de bola que estava completamente controlada, sem pressão alguma, e ele entrega a bola nos pés de Carbonero. Não olhou, não pensou, apenas entregou a paçoca. Um erro primário que desestabilizou completamente o time.
- Tchê Tchê: A personificação do futebol burocrático e sem alma. Aquele jogador que só dá passe para o lado, que não arrisca, que não faz o time andar. Sua atuação foi, mais uma vez, sem graça. E para piorar, foi ele o desarmado na lateral, num lance que parecia morto, e que originou o quarto gol dos colorados. Falta atitude, falta vontade de fazer a diferença.
- Brenner: Um fantasma em campo. É difícil entender qual a função dele. Começou como centroavante e não deu um único trabalho para a zaga adversária. Depois, com a entrada de David, virou um falso 9 que não oferecia opção de passe. Apenas correu, sem direção, sem propósito. Uma atuação nula, que só serviu para ocupar espaço e irritar o povo cruzmaltino.
Um Pingo de Honra em um Oceano de Vergonha
No meio do caos, é preciso ser justo com quem tentou. Mesmo em uma noite tão sombria, alguns lampejos de dignidade apareceram, ainda que insuficientes para evitar a catástrofe.
O primeiro suspiro de qualidade veio do nosso meio-campo, com um jogador que, sozinho, tentou criar algo. Ele enfiou uma bola açucarada para Gómez, na cara do gol, logo no começo do jogo. Foi o único que mostrou qualidade técnica, mas futebol é um esporte coletivo, e ele estava pregando no deserto.
Gómez, aliás, merece uma menção. Sim, ele perdeu aquela chance clara aos três minutos que poderia ter mudado a história do jogo. Mas, ao contrário de muitos, não se escondeu. Lutou, brigou aos trancos e barrancos e, mesmo na goleada, fez o nosso gol de honra. Mostrou o mínimo que se espera: vergonha na cara.
Outro que mostrou mais em poucos minutos do que o titular em quase um jogo inteiro foi David. Entrou e deu mais trabalho como centroavante do que Brenner, com uma cabeçada perigosa que passou perto da trave. Não era uma missão difícil, convenhamos, mas mostrou vontade.
Até mesmo um dos reservas que entrou no 4 a 0, na fogueira completa, conseguiu mostrar serviço, dando o passe para o gol de Gómez. Prova de que, mesmo no fundo do poço, há quem queira lutar pelo Vasco.
E o Professor? A Culpa Também é Sua!
Não podemos isentar o comandante. É claro que a culpa não é dele pelos erros individuais bizarros de Léo Jardim e Cuesta. Ninguém treina um jogador para entregar uma bola de presente para o adversário. No entanto, a insistência em jogadores que há semanas não rendem absolutamente nada, como Brenner e Tchê Tchê, é um erro de conceito claro.
O Vasco foi uma presa fácil, um time espaçado que convidava o Internacional para o contra-ataque. A teimosia em manter um esquema e peças que não funcionam custou caro. A leitura de jogo falhou, e as substituições, embora algumas tenham surtido efeito, vieram tarde demais. É preciso que o técnico também assuma sua parcela de responsabilidade nesse vexame.
Chega de insistir no que não dá certo. A torcida vascaína tem memória e sabe reconhecer quem honra e quem apenas passa pelo clube. Queremos em campo onze guerreiros, e não um bando apático. Que esta derrota dolorosa sirva de lição. O Gigante precisa acordar, e rápido.
Informações com base em reportagem do ge.globo.com.