Tem dias que ser vascaíno é um teste de paciência, e a derrota por 4 a 1 para o Internacional no Beira-Rio, pela 16ª rodada do Brasileirão, foi um desses dias. A atuação apática do Gigante da Colina deixou a torcida indignada, e um dos nossos encontrou um porta-voz no banco de reservas: o técnico Renato Gaúcho.
Em uma das coletivas mais sinceras e brutais dos últimos tempos, Renato não mediu palavras. Ele não procurou desculpas, não falou do gramado, nem do árbitro. Ele foi direto na ferida, com a honestidade que o momento pedia. A frase que resume o sentimento de todos nós veio sem rodeios: ‘Eu estava torcendo para o jogo acabar. Estava feio’. Quem não estava, Renato? Quem não estava?
‘Entregamos, Falhamos e Dormimos no Ponto’
A análise do nosso comandante foi um soco no estômago, mas necessário. Para ele, o placar elástico não foi fruto de um esquema tático que deu errado ou da qualidade do adversário, mas sim de um erro primário e inaceitável para um time como o Vasco: a falta de atenção.
‘Os gols que tomamos foram por falta de atenção. Não podemos dar a desculpa de que não tivemos tempo suficiente para treinar. Foi atenção’, cravou Renato, visivelmente irritado. Ele foi ainda mais duro, resumindo a ópera trágica que vimos em campo: ‘Nós entregamos, nós falhamos, nós dormimos no ponto e o Internacional aproveitou. É bem simples’.
Para o técnico, a passividade do time foi tão gritante que o resultado de 4 a 1 saiu barato. ‘Entramos com sono. E saiu barato, custou barato. Foi barato (o placar) pelo o que apresentamos hoje’, desabafou. É a mais pura verdade. A sensação do povo cruzmaltino é que poderia ter sido muito pior, especialmente com um jogador a menos no final da partida.
A Gangorra do Brasileirão e a Memória Curta
Apesar da bronca monumental, Renato Gaúcho fez questão de contextualizar o momento do clube. Ele lembrou a situação em que encontrou o time, para os que têm memória curta. ‘Quando cheguei no Vasco, o time estava em último. Procurei ajustar algumas coisas e tirei o Vasco da zona de rebaixamento’, recordou.
Ele sabe que o Campeonato Brasileiro é uma verdadeira montanha-russa. ‘Com duas vitórias você vai para a parte de cima da tabela, mas o campeonato está tão embolado que com uma derrota você cai muito. É uma gangorra muito grande’, analisou. E é verdade. Abrimos a rodada em 8º lugar, um feito para quem só tinha um ponto e estava afundado no Z-4. A derrota dói, nos joga para perto da zona da confusão de novo, mas não apaga a recuperação.
Renato também destacou os 13 pontos conquistados contra os cinco primeiros colocados, mostrando que o time tem, sim, capacidade de enfrentar os grandes de igual para igual. O que faltou no Beira-Rio foi justamente essa postura.
E Agora? Foco na Sula e Olho no Mercado
A terra arrasada não pode durar. O futebol não dá tempo para lamentações, e o Vascão tem uma decisão pela frente. Na próxima quarta-feira, o compromisso é pela Copa Sul-Americana contra o Olimpia. O jogo é uma final antecipada, valendo a liderança do grupo, já que ambas as equipes estão empatadas com sete pontos.
É a chance de virar a chave, mostrar que a lição foi aprendida e que a bronca do chefe surtiu efeito. Além do jogo contra os paraguaios, ainda temos o Bragantino pelo Brasileirão antes da parada para a Copa.
Nos bastidores, o trabalho também continua. Renato revelou que a conversa por reforços é constante. ‘Tenho falado bastante com Pedrinho, Felipe e Admar para reforçar o grupo e ver o que eles podem me dar para a gente disputar mais’, afirmou. Um alento para a torcida, que sabe que o elenco precisa de peças para aguentar o tranco de três competições. A bronca foi dada. A vergonha foi sentida. Agora é levantar, sacodir a poeira e mostrar em campo que a camisa do Vasco é pesada demais para ‘dormir em ponto’.
Informações com base em reportagem do ge.globo.com.