Lembra da última vez que o Vascão teve o mesmo time titular em dois jogos seguidos no Brasileirão? Pois é, faz tempo. Exatos dois meses. A nação cruzmaltina, que vive o clube 24 horas por dia, já nem se surpreende mais com o ‘time novo’ que entra em campo a cada rodada. O nosso comandante, Renato Gaúcho, está no meio de um verdadeiro quebra-cabeça, e a gente aqui, sofrendo junto.
Desde que assumiu, Renato apostou no rodízio. Justo. Três competições no lombo não é pra qualquer um. Mas o que era pra ser estratégia virou necessidade. Entre lesões, suspensões e o tal do ‘controle de carga’, montar o Gigante da Colina virou uma missão quase impossível. O resultado? Oito jogos consecutivos no Campeonato Brasileiro com escalações diferentes. Uma dança das cadeiras que tira o sono de qualquer torcedor.
A Única Vez que a Magia Aconteceu
Parece até história de um passado distante, mas houve um tempo, lá em março, em que a torcida vascaína pôde decorar a escalação. Foram apenas duas vezes, mas valeram ouro. Nas vitórias contra Fluminense e Grêmio, Renato Gaúcho mandou a campo a mesma formação, e o time correspondeu. Aquilo sim era um time que a gente começava a chamar de nosso.
Para refrescar a memória do torcedor que sofre de amnésia por estresse, o time era esse:
- Goleiro: Léo Jardim
- Defesa: Paulo Henrique, Saldivia, Robert Renan e Cuiabano
- Meio-campo: Hugo Moura, Thiago Mendes, Tchê Tchê
- Ataque: Nuno Moreira, Andrés Gómez e David
Deu certo. Ganhamos. Criamos esperança. Mas, como alegria de vascaíno parece que dura pouco, a engrenagem começou a desmontar logo depois.
O Calvário dos Desfalques nas Laterais
A maré de azar começou a nos afogar pelas beiradas do campo. Primeiro, perdemos o Cuiabano. O garoto vinha bem, mas um edema na coxa esquerda o tirou de combate desde aquela derrota dolorida por 1 a 0 para o Corinthians. Uma baixa sentida na lateral esquerda.
Como se não bastasse, a zica atravessou o campo e pegou o Paulo Henrique. Entorse no tornozelo direito. O diagnóstico? Só volta depois da Copa do Mundo. É de chorar! Dois laterais importantes no departamento médico, e o quebra-cabeça de Renato ganha peças a menos e problemas a mais.
A Zaga que Bate Cabeça
Se as laterais preocupam, o miolo de zaga não traz paz. O único que parece ter cadeira cativa é Robert Renan, titular absoluto nos 12 jogos de Renato no Brasileirão. Uma rocha, por enquanto. O problema é achar um parceiro pra ele. Saldivia e Cuesta vivem uma fase que, sejamos sinceros, dá calafrios na espinha. Acumulam atuações ruins e não conseguem passar a segurança que o Caldeirão de São Januário exige. A cada jogo, uma nova dupla e a mesma insegurança.
Quem Joga na Ponta Direita? O Mistério Continua
Outro setor que virou uma verdadeira loteria é a ponta direita. Renato já tentou de tudo. Começou com Nuno Moreira nos quatro primeiros jogos. Não firmou. Depois, veio a vez de Rojas. Nada. Hinestroza e Brenner também tiveram suas chances e, bom, você sabe o resultado. A bola parecia não querer entrar por ali.
Aí, contra o Athletico-PR, na vitória por 1 a 0, uma luz no fim do túnel: Adson. O camisa 28 entrou, jogou bem, e a gente já começou a sonhar. ‘Agora vai!’, pensamos. Doce ilusão. No jogo seguinte, contra o Internacional, cadê o Adson? Ficou de fora por ‘controle de carga’. Apresentou sinais de fadiga e a comissão técnica, com toda a razão do mundo, resolveu prevenir. Natural para quem ficou muito tempo parado, mas frustrante para a torcida que anseia por um time titular.
O Histórico do Desmanche Rodada a Rodada
Para o torcedor entender o drama em números, a lista de escalações diferentes é a prova cabal do desafio de Renato. É um time novo a cada fim de semana. Veja o histórico recente e tente não se confundir:
- Time 1: Léo Jardim; Paulo Henrique, Saldivia, Robert Renan, Lucas Piton; Hugo Moura, Thiago Mendes, Tchê Tchê; Nuno Moreira, David, Andrés Gómez.
- Time 2: Léo Jardim; Paulo Henrique, Saldivia, Robert Renan, Cuiabano; Hugo Moura, Barros, Tchê Tchê; Nuno Moreira, David, Andrés Gómez.
- Time 3: Léo Jardim; Paulo Henrique, Saldivia, Robert Renan, Cuiabano; Hugo Moura, Thiago Mendes, Tchê Tchê; Nuno Moreira, David, Andrés Gómez.
- Time 4: Léo Jardim; Paulo Henrique, Saldivia, Robert Renan, Lucas Piton; Hugo Moura, Thiago Mendes, Tchê Tchê; Nuno Moreira, Marino Hinestroza, David.
- Time 5: Léo Jardim; Puma Rodríguez, Saldivia, Robert Renan, Cuiabano; Barros, Thiago Mendes, Tchê Tchê; Johan Rojas, David, Andrés Gómez.
- Time 6: Léo Jardim; Paulo Henrique, Carlos Cuesta, Robert Renan, Cuiabano; Barros, Thiago Mendes, Tchê Tchê; Johan Rojas, David, Andrés Gómez.
- Time 7: Léo Jardim; Paulo Henrique, Saldivia, Robert Renan, Cuiabano; Barros, Tchê Tchê, Thiago Mendes; Andrés Gómez, David, Brenner.
- Time 8: Léo Jardim; Puma Rodríguez, Carlos Cuesta, Robert Renan, Lucas Piton; Barros, Hugo Moura, Tchê Tchê; Nuno Moreira, Brenner, Andrés Gómez.
É uma salada mista. Até quando vamos viver de improviso? A torcida, que nunca abandona, só pede uma coisa: uma base, uma identidade, um time que a gente possa chamar de nosso do início ao fim do campeonato. Renato tem um abacaxi gigante para descascar. Vamos torcer para que ele encontre a receita certa. Afinal, Vasco é coisa séria.
Informações com base em reportagem do ge.globo.com.