Um Vexame, um Atraso e uma Surpresa em São Januário
A noite em São Januário era para ser de festa, mas se transformou em um pesadelo. Uma derrota por 3 a 0 para o Bragantino, em casa, com o time jogando absolutamente nada. A torcida, com razão, na bronca. O clima pesou, ficou hostil. E quando todos esperavam as explicações do técnico Renato Gaúcho, o que tivemos foi um atraso de uma hora e meia e uma reviravolta digna de roteiro de filme.
No lugar do comandante, na sala de imprensa, surgiram duas figuras: Ademar Lopes, nosso diretor de futebol, e Thiago Mendes, o capitão da equipe. A mensagem, antes mesmo de qualquer palavra ser dita, era clara: algo diferente estava acontecendo nos bastidores do Gigante da Colina. Não era uma coletiva comum. Era um ato.
‘Não Está na Mesa’: Ademar Lopes Garante a Permanência de Renato
A primeira bomba foi solta por Ademar Lopes. Com todas as letras, ele bancou o treinador e afastou qualquer boato sobre demissão. Segundo o diretor, a decisão de poupar Renato Gaúcho da entrevista partiu da própria diretoria e dos jogadores. Uma estratégia para blindar o técnico e dividir a responsabilidade em um momento de crise aguda.
“Nós quisemos assumir a responsabilidade e não deixamos o Renato vir para a coletiva”, explicou Lopes, deixando claro que a iniciativa não partiu do treinador. E para o alívio ou desespero de alguns, ele foi taxativo: “Mas o Renato não pediu demissão. Não está na mesa a possibilidade dele sair.”
O diretor revelou que houve uma conversa longa e franca no vestiário, “de homens”, onde todos falaram. O grupo decidiu fazer esse gesto para mostrar união. “Acreditamos que o Renato não pode vir sozinho assumir a culpa da derrota. […] fizemos esse gesto para mostrar que estamos com ele”, completou. É o tipo de atitude que, como torcedor, a gente fica com um pé atrás, mas no fundo, torce para que signifique uma virada de chave real.
A Voz do Vestiário: Thiago Mendes Pede Desculpas e Assume a Culpa
Se as palavras do diretor foram fortes, as do capitão Thiago Mendes foram um soco no estômago da acomodação. Visivelmente abatido, ele pediu desculpas ao povo cruzmaltino e foi direto ao ponto, sem rodeios, como um verdadeiro líder deve ser.
“Pessoalmente, queria pedir desculpa ao torcedor que compareceu hoje, não foi o resultado que todo mundo esperava”, começou o volante. E então, veio a frase que ecoou em São Januário: “Sabemos que quem entra em campo somos nós, jogadores. Hoje, tínhamos que dar a cara na entrevista. Ele não é culpado. Demos a cara por ele. Ele não teve culpa nenhuma. Quem teve foram os jogadores que entraram em campo.”
Thiago Mendes não parou por aí. Ele reconheceu a fase terrível do time. “Três derrotas seguidas, não pode continuar assim. Nós temos que bater no peito e representar o Vasco.” É exatamente isso que a torcida quer ouvir, e mais ainda, quer ver em campo. Chega de apatia. A camisa do Vasco é pesada demais para ser vestida sem alma.
Análise Fria: O Trabalho de Renato e o Tamanho do Elenco
Questionado sobre o trabalho de Renato Gaúcho, Ademar Lopes tentou manter a racionalidade em meio ao caos. “Obviamente, depois de perder 3 a 0 em casa é difícil responder essa pergunta”, admitiu. Contudo, ele defendeu a gestão do técnico, lembrando da recuperação que o time teve sob seu comando. “Se analisar a pontuação do Renato desde que chegou é positiva. […] o impacto que o Renato teve no grupo foi enorme, o respeito do grupo e a confiança da diretoria muito grande.”
O diretor também tocou em um ponto sensível: a busca por reforços e o tamanho do elenco. Para ele, o grupo é suficiente. “No meu entender, 24, 25 jogadores em um elenco profissional, até pela tradição do Vasco na base, é mais que suficiente.” Uma declaração que joga a responsabilidade diretamente para os jogadores que lá estão.
O gesto foi feito. A diretoria e os jogadores se uniram publicamente para proteger o treinador. É um movimento raro e corajoso. Mas nós, torcedores, sabemos que palavras, por mais fortes que sejam, não ganham jogo. O respaldo precisa se transformar em pontos. A união do vestiário precisa virar raça em campo. O próximo jogo, na quarta-feira, já virou uma final. É hora de honrar esse “pacto” e, principalmente, a nossa história. Vamos, Vascão!
Informações com base em reportagem do www.lance.com.br.