Um soco no estômago do torcedor vascaíno
A noite de domingo em São Januário não foi apenas uma derrota. Foi um vexame. Um atropelo. Uma humilhação que nós, que carregamos a cruz de malta no peito, não merecemos. Perder por 3 a 0 para o Bragantino em casa já seria motivo para uma crise, mas o que aconteceu depois do apito final foi talvez ainda pior: o comandante do barco abandonou o navio na hora da tempestade.
Enquanto o time paulista deitava e rolava no nosso Caldeirão, a sensação era de impotência. E para completar o roteiro do desastre, Renato Gaúcho, o técnico empregado pelo Vasco, simplesmente não apareceu para dar explicações. Sumiu. Deixou a torcida, que mais uma vez lotou o estádio, sem uma palavra. E com isso, o fantasma que assombra nossos piores pesadelos voltou a bater na porta: a maldita zona de rebaixamento.
Um passeio do Bragantino no nosso tapete sagrado
Não adianta dourar a pílula. O Bragantino de Vagner Mancini não tomou conhecimento do Vasco. E o placar de 3 a 0, acredite, saiu barato. A superioridade dos caras não foi só técnica, foi física. Parecia um time de profissionais contra um time de amadores cansados. Desde o início, eles nos engoliram com pressão alta, velocidade e ganhando todas as bolas no alto.
Nosso time, o time de Renato Gaúcho, assistia a tudo passivamente. Com uma dificuldade absurda para sair jogando, o meio-campo era uma avenida para os visitantes. Eles perceberam nossa fragilidade e martelaram sem dó pelo lado direito da nossa defesa, onde João Vitor Mutano e Saldivia pareciam perdidos, vendo o tal de Henry Mosquera fazer o que queria.
A feira de erros que decretou o vexame
Se taticamente o time foi um desastre, individualmente foi uma tragédia. É impressionante a capacidade que temos de entregar gols para os adversários. Mais uma vez, os erros individuais foram a chave para a nossa derrota. Foi um festival de horrores:
- Lucas Piton: Num corte de cabeça bizarro, entregou a bola nos pés de Rodriguinho para abrir o placar. Um erro que um jogador do nível dele não pode cometer.
- João Vitor Mutano: Foi driblado com a facilidade de um cone de treinamento por Mosquera, que cruzou para Pitta antecipar nosso zagueiro e fazer o segundo.
- Saldivia: O zagueiro uruguaio coroou sua noite de pesadelo com uma falha grotesca. Um recuo de bola que foi um presente para Fernando driblar Léo Jardim e fechar o caixão. Inacreditável.
Para completar o cenário, o Bragantino ainda se deu ao luxo de perder um pênalti com Eduardo Sasha. Sim, poderia ter sido pior. O placar de 3 a 0 foi um retrato fiel da covardia que vimos em campo.
Cadê o comandante? A fuga na coletiva
A covardia em campo foi espelhada fora dele. Um líder, um comandante de verdade, assume a responsabilidade. Dá a cara a tapa. Explica, ou pelo menos tenta explicar, o inexplicável para a sua torcida. Renato Gaúcho preferiu se esconder no vestiário.
Numa decisão bizarra, a diretoria mandou o diretor Admar Lopes e o capitão Thiago Mendes para a fogueira da sala de imprensa. Expor um jogador a ter que justificar a péssima atuação dos companheiros é de uma covardia sem tamanho. Colocar um diretor para dizer que não vai falar de tática após uma derrota dessas é chamar o torcedor de idiota.
Renato não é o único culpado, sabemos disso. Mas sua principal desculpa, o seu escudo de que “tirou o Vasco da lanterna”, caiu por terra. A realidade bateu na porta com força, e ela diz que continuamos na mesma luta de sempre: brigar para não cair. Com 33,3% de aproveitamento nos últimos nove jogos e 12 gols sofridos nos últimos quatro, estamos novamente à beira do precipício do Z-4. O alerta não está mais amarelo, está vermelho-piscante. Até quando, Vascão?
Informações com base em reportagem do ge.globo.com.