VITÓRIA COM GOSTO DE DERROTA: AS VAIAS NÃO MENTEM
Tem vitória que a gente comemora e tem vitória que a gente só cumpre tabela. O que se viu em São Januário contra o Barracas Central foi a segunda opção. Ganhamos por 3 a 0, classificamos na Sul-Americana, mas quem estava no estádio sabe: o clima era de velório. E com razão. A paciência do povo cruzmaltino acabou, e nem um placar seguro contra um time já eliminado foi capaz de trazer a paz de volta para a nossa casa.
Antes mesmo de a bola rolar, o recado já tinha sido dado. Com um público baixíssimo de apenas 3.524 torcedores, resultado do protesto ‘público zero’ das nossas organizadas, o Caldeirão estava irreconhecível. As vaias começaram no aquecimento e não pararam mais. A revolta não é por um jogo, é por um momento. Vínhamos de três derrotas seguidas, para Internacional, Olimpia e, a mais dolorida de todas, para o Bragantino dentro de casa. Aquela atuação apática irritou até o mais calmo dos vascaínos.
Então, vencer o Barracas Central não era motivo para festa. Era o mínimo. Era obrigação. E a torcida, que nunca abandona, mas que também sabe cobrar, deixou isso bem claro. Apito final, 3 a 0 no placar, e mais vaias. Porque ser Vasco é lutar por glórias, não por migalhas. A pressão sobre o elenco e a comissão técnica de Renato Gaúcho não diminuiu um centímetro. Pelo contrário.
SUL-AMERICANA: O CAMINHO LONGO E A CONTA DA DERROTA NO PARAGUAI
Para piorar o sentimento de ‘enxugar gelo’, a classificação veio com um asterisco gigante. A gente ainda sonhava com o primeiro lugar do Grupo G, o que nos daria uma vaga direta nas oitavas de final da Sul-Americana. Mas para isso, não dependíamos só de nós. A derrota para o Olimpia na rodada anterior nos deixou na mão dos paraguaios.
Precisávamos que eles tropeçassem contra o Audax Italiano. Adivinha? Não tropeçaram. Venceram, ficaram com a liderança e jogaram o Gigante da Colina para o playoff. Isso significa que, para chegar às oitavas, teremos que enfrentar uma pedreira que vem da Libertadores. Um caminho muito mais difícil, que poderia ter sido evitado. A conta daquele vacilo no Paraguai chegou, e ela é salgada.
O APELO DE RENATO GAÚCHO: A FINAL CONTRA O ATLÉTICO-MG
Com a Sul-Americana resolvida (do jeito torto, mas resolvida), todas as atenções se voltam para o que realmente importa agora: o Campeonato Brasileiro. E a situação ali é desesperadora. Estamos a míseros dois pontos da zona de rebaixamento. Entrar na pausa para a Copa do Mundo dentro do Z-4 ou flertando com ele é um cenário de pesadelo que ninguém quer viver.
Por isso, o jogo do próximo domingo (31), às 16h, contra o Atlético-MG, de novo em São Januário, virou uma final. E o técnico Renato Gaúcho sabe disso. Após a partida contra os argentinos, ele deixou o recado direto para a nação vascaína. Foi quase uma convocação.
Nas palavras do nosso comandante: ‘O mais importante é o torcedor comparecer domingo em São Januário, a gente tem um jogo difícil no Brasileiro. Com o apoio da torcida, é meio caminho andado. O torcedor tem que comparecer e incentivar os jogadores.’ É isso. O recado está dado. A diretoria e os jogadores nos devem uma resposta, mas a nossa parte a gente sempre faz.
AGORA É GUERRA: SÃO JANUÁRIO PRECISA FERVER
A vitória contra o Barracas não serviu para reconciliação. Serviu para cumprir um protocolo. A verdadeira prova de fogo, o jogo que vai ditar o nosso humor nas próximas semanas, é contra o Atlético-MG. Diferente do protesto na Sula, a expectativa é de casa cheia. Porque o vascaíno protesta, cobra, vaia, mas na hora da guerra, ele veste a armadura e vai pro front.
Domingo não é dia de vaiar no aquecimento. É dia de empurrar o time do primeiro ao último minuto. É dia de transformar São Januário no inferno que os adversários tanto temem. A vitória é mais que uma necessidade, é uma questão de honra para não passarmos a Copa do Mundo abraçados com o fantasma do rebaixamento. Que o time entenda a urgência e jogue por nós. Domingo é dia de Vasco. E Vasco é coisa séria.
Informações com base em reportagem do www.lance.com.br.