O Caldeirão Ferveu: A Paciência da Torcida com Renato Acabou?
Acabou a paz em São Januário. O que era para ser uma festa, um jogo para nos colocar perto do sonho da Libertadores, virou um pesadelo em 90 minutos. O placar de 3 a 0 para o Bragantino doeu na alma, mas o que ecoou mais forte que os gols do adversário foram as vaias e os xingamentos direcionados a Renato Gaúcho. Pela primeira vez em seus pouco mais de dois meses de clube, o técnico sentiu na pele a fúria do torcedor vascaíno.
E, sejamos sinceros, a reação da arquibancada não veio do nada. O gesto irônico de Renato para a torcida foi apenas a cereja no bolo amargo que temos sido forçados a engolir. Estamos em 16º lugar, a míseros dois pontos da desgraça do Z-4. Aquele time que parecia engrenar agora coleciona resultados terríveis: são quatro jogos sem vencer, com três derrotas consecutivas. A pior sequência da temporada, no pior momento possível.
Agora, temos dois jogos em casa, no nosso Caldeirão, antes da parada para a Copa do Mundo. Serão duas finais. Duas oportunidades para o time mostrar se tem raça vascaína correndo nas veias ou se vai se entregar ao caos.
Uma Defesa de Portas Abertas: 12 Gols e o Desespero na Zaga
O problema do Vasco tem nome e endereço: a nossa defesa. É simplesmente inacreditável. Sofrer 12 gols em quatro partidas não é um acidente, é um padrão. É um sintoma de um sistema que não funciona e de falhas individuais que beiram o amadorismo. Renato Gaúcho tem uma dor de cabeça monumental para montar a zaga ao lado de Robert Renan, porque seus companheiros parecem competir para ver quem erra mais.
Vamos falar os nomes. Cuesta, por exemplo, teve uma atuação desastrosa na goleada de 4 a 1 que sofremos para o Internacional. Falhou no tempo de bola no gol de Carbonero e, para completar a tragédia, foi expulso. Não à toa, recebeu a pior nota possível nas atuações do ge: um 0,5. Isso mesmo, meio ponto. Uma nota que envergonha a nossa camisa.
Com Cuesta suspenso, a chance caiu no colo de Saldivia contra o Bragantino. E o que ele fez? Conseguiu ser ainda pior. Ele já vinha de um gol contra bizarro que nos custou a vitória contra o Paysandu na Copa do Brasil. Mas o que ele fez no terceiro gol do Bragantino foi a gota d’água. Aquele recuo de bola para Léo Jardim foi uma das coisas mais patéticas que já vi em São Januário. Uma bola fraca, mal direcionada, um presente que o atacante Fernando não recusou. É o tipo de erro que não se admite em um clube como o Vasco.
A Aposta na Sul-Americana que Virou Dor de Cabeça
Como se não bastasse o drama no Brasileirão, ainda temos a complicação na Sul-Americana. Renato Gaúcho optou por usar os reservas contra o Olimpia, no Paraguai. A decisão, na época, já gerou críticas. Era um confronto direto pela liderança do grupo, uma chance de ouro para classificar direto para as oitavas e aliviar nosso calendário.
O resultado? Perdemos. E agora, o que era para ser um alívio virou uma corda no pescoço. Precisamos de uma combinação de resultados na última rodada para sermos o primeiro do grupo. Pior: corremos o risco de ficar até fora dos playoffs. Caso fiquemos em segundo, teremos que disputar uma repescagem contra um time vindo da Libertadores.
E aí vem o grande problema: esses jogos do playoff estão marcados para 22 e 29 de julho. Sabe o que tem nessas datas? A 19ª e a 20ª rodada do Campeonato Brasileiro. Ou seja, se formos para essa repescagem, nossos jogos do Brasileirão serão adiados para a Data Fifa de setembro, bagunçando todo o planejamento e sobrecarregando o time na reta final.
E Agora, Gigante? Diretoria Banca Renato, Mas a Culpa é de Quem?
Em meio ao incêndio, a diretoria joga um balde de… calma? A informação dos bastidores é que não há intenção de mudar o comando. Internamente, o trabalho de Renato Gaúcho é visto como positivo e a culpa pelos resultados ruins é jogada nas costas dos erros individuais dos jogadores. Há respaldo para o treinador.
A pergunta que fica para nós, o povo cruzmaltino, é: até que ponto? É justo culpar só os jogadores quando a defesa parece uma peneira jogo após jogo? É justo culpar só o técnico quando vemos erros primários como o de Saldivia? A verdade é que a culpa, no Vasco, parece ser órfã. Mas os resultados negativos têm pai, mãe e endereço.
A pressão é gigantesca. Renato Gaúcho, os jogadores e a diretoria precisam dar uma resposta. E tem que ser agora. São Januário vai cobrar. Porque ser Vasco é coisa séria, e nós, os que nunca abandonam, merecemos muito mais do que isso. Exigimos raça, comprometimento e, acima de tudo, respeito por essa camisa.
Informações com base em reportagem do ge.globo.com.