O apito final que confirmou o pesadelo
Acabou. E da pior forma possível. Dentro do nosso Caldeirão, diante da nossa gente, o Vasco da Gama confirmou o que ninguém queria ver: a entrada na maldita zona de rebaixamento. A derrota por 1 a 0 para o Atlético-MG, neste domingo, pela 18ª rodada do Brasileirão, não foi apenas mais um resultado negativo. Foi a terceira derrota seguida, a pá de cal que nos empurrou para o 17º lugar, com míseros 20 pontos, e culminou no grito que mais dói no ouvido de um torcedor apaixonado: “time sem vergonha”.
A tarde que tinha tudo para ser de redenção se transformou em um filme de terror. Para piorar, vimos o rival mineiro quebrar um jejum de sete anos sem nos vencer em São Januário. Sete anos! Eles vieram aqui e fizeram a festa, pulando para o 9º lugar com 24 pontos, enquanto nós ficamos para juntar os cacos e amargar a vergonha.
Um começo de esperança, um fim de frustração
É preciso dizer: o time tentou. Pelo menos no começo. O Vascão, sob o comando de Renato Gaúcho, precisava dar uma resposta e quase conseguiu logo no primeiro minuto. Spinelli subiu de cabeça e só não abriu o placar porque o goleiro Everson, que seria o carrasco do dia, fez um milagre com a ponta dos dedos. Ali, talvez, o destino do jogo tenha sido selado.
Depois desse susto inicial, o que se viu foi um jogo truncado, de muitos erros de parte a parte. O Gigante trocava passes, mas pecava na hora de definir. E no futebol, quem não faz… leva. Aos 31 minutos, o castigo veio da forma mais cruel. Após um chute de Reinier que nosso goleiro Jardim espalmou para escanteio, a zaga dormiu. Na cobrança, Victor Hugo subiu sozinho, sem marcação, e testou para o fundo das redes. Um gol que doeu na alma, fruto de uma desatenção que não pode acontecer.
Ainda no primeiro tempo, o mesmo Reinier quase ampliou, mas Jardim salvou. Fomos para o intervalo com a desvantagem e a sensação de que, mais uma vez, a sorte não estava do nosso lado.
Luta, defesas e o desespero no Caldeirão
Na segunda etapa, foi o Vasco da pura raça. Empurrado pela torcida que ainda acreditava, o time se lançou ao ataque de forma desordenada, na base do coração. O Atlético-MG, satisfeito com o placar, se fechou, apostando na figura do seu goleiro.
E que tarde para Everson. Aos 17, Cuiabano cobrou falta com perigo, e ele defendeu. Aos 31, foi a vez de Adson, que fez boa jogada individual, cortar para o meio e chutar no cantinho, mas o goleiro atleticano foi buscar. O desespero aumentava a cada minuto, e o gol não saía. Para completar o show particular do adversário, aos 39, Bruno Lopes teve a chance do empate, mas parou em mais uma defesa espetacular.
O “tudo ou nada” no final não foi suficiente. O apito final soou como uma sentença, e a paciência da torcida, que apoiou enquanto pôde, simplesmente acabou.
O grito que ecoa e a longa espera pela frente
O protesto com gritos de “time sem vergonha” foi o retrato fiel do sentimento do povo cruzmaltino. Não é apenas pela derrota, mas pela forma como ela veio, pela sequência de resultados ruins e pela posição humilhante na tabela. É um grito de quem nunca abandona, mas que está cansado de sofrer.
Agora, uma longa pausa. O futebol brasileiro para por causa da Copa do Mundo, e o Vascão só volta a campo em julho. Teremos uma sequência duríssima pela frente, com jogos fora contra Vitória e Independiente Medellín (pela Sul-Americana), e confrontos em casa contra Mirassol e Bahia, antes de encarar Palmeiras e Red Bull Bragantino. Um caminho árduo para sair do fundo do poço.
Que essa parada sirva para alguma coisa. Que a diretoria, a comissão técnica e, principalmente, os jogadores entendam o peso da camisa que vestem. Porque o grito da arquibancada hoje não foi um simples protesto. Foi um aviso. O Vasco é coisa séria, e nós, a torcida, merecemos respeito.
Informações com base em reportagem do www.espn.com.br.