Presidente do Palmeiras dá ‘bênção’ a novo dono do Vascão
Parece que o nosso sofrimento diário virou pauta até na casa dos rivais. Em uma reviravolta que só o futebol brasileiro proporciona, a presidente do Palmeiras, Leila Pereira, resolveu dar o seu pitaco sobre o futuro do Gigante da Colina. E não foi qualquer pitaco. Ela basicamente deu um selo de qualidade para a possível venda da nossa SAF para o seu enteado, Marcos Lamacchia.
Em entrevista ao podcast POD_i, da jornalista Andréia Sadi, Leila foi direta. Mesmo afirmando que “não se envolve”, ela fez questão de rasgar elogios ao familiar. A gente sabe como funciona, né? É aquele famoso “não quero me meter, mas já me metendo”.
“Eu não tenho nada com isso. O meu enteado está negociando com o Vasco, sim”, confirmou a dirigente. E completou com a frase que vai ecoar em São Januário: “Qualquer clube que tiver meu enteado como dono, será um grande negócio. É uma pessoa brasileira, com patrimônio no Brasil e com capacidade de erguer qualquer clube. Acho um grande negócio.”
Ouvir isso da presidente de um clube rival é, no mínimo, curioso. Por um lado, um elogio à capacidade de um possível investidor. Por outro, fica aquela pulga atrás da orelha. Desde quando o bem do Vasco interessa a um palmeirense? Mas, no ponto em que chegamos, qualquer sinal de esperança é bem-vindo.
A novela da SAF: R$ 2 bilhões e a 777 no retrovisor
A fala de Leila não vem do nada. A negociação com Marcos Lamacchia, que segundo a fonte foi encaminhada em março, envolve cifras astronômicas: fala-se em valores superiores a R$ 2 bilhões pela transferência de 90% dos ativos do nosso futebol. É dinheiro para reerguer o clube e colocar o Almirante de volta no seu devido lugar.
No entanto, a vida do vascaíno nunca é fácil. Enquanto sonhamos com um futuro melhor, a assombração da 777 Partners continua por perto. A ex-controladora, que nos deixou na mão e foi afastada judicialmente, não quer largar o osso.
Recentemente, a 777 Carioca entrou com uma interpelação judicial para tentar melar o negócio com Lamacchia. A alegação dos americanos? Eles dizem que ainda são donos de 70% das ações do Vasco SAF e que não há discussão sobre isso. Uma cara de pau impressionante para quem quase nos levou para o buraco de novo.
Desde o dia 15 de maio de 2024, para alívio da nação cruzmaltina, o clube associativo retomou o controle do futebol. A 777 recorreu, mas, por enquanto, a justiça tem estado do nosso lado. A briga, porém, está longe de acabar e é um obstáculo gigantesco para qualquer novo investidor.
Um ‘dono’ para o Gigante? O debate que não cala
Leila Pereira, como uma boa empresária, também defendeu com unhas e dentes o modelo de clube-empresa. Para ela, o futuro do futebol está aí. “Não vejo futuro nesses clubes associativos. Sou adepta ao clube-empresa. Acho que para ter continuidade o clube precisa ter um dono”, avaliou.
Essa é uma discussão que arde no coração do povo cruzmaltino. Depois da experiência traumática com a 777, a palavra “dono” causa arrepios em muitos de nós. Vimos na pele como uma gestão distante e incompetente pode ser desastrosa. A promessa de profissionalismo virou um pesadelo de amadorismo.
Ainda assim, a promessa de Lamacchia, segundo sua madrasta, é diferente. “Pessoa brasileira, com patrimônio no Brasil”. Isso, pelo menos, já é um avanço em relação a um fundo de investimento gringo e misterioso. A gente precisa de alguém que entenda o que é o Vasco, o que é essa torcida, o que é a nossa história de luta e superação.
A declaração de Leila joga mais lenha na fogueira desse debate. Será que o caminho é realmente ter um “dono”? Ou a força da nossa associação, que se levantou para retomar o que é seu, é o verdadeiro caminho para o futuro? A única certeza é que o Gigante não pode mais ser cobaia de ninguém.
O que esperar agora?
No fim das contas, o recado da presidente do Palmeiras serve para agitar ainda mais as águas já turbulentas de São Januário. A negociação com Marcos Lamacchia parece séria, mas a barreira jurídica imposta pela 777 é real e perigosa.
Para nós, fiéis do Gigante, resta o de sempre: acompanhar, torcer e fiscalizar. A promessa de um “grande negócio” enche os olhos, mas o coração do vascaíno já está calejado de promessas vazias. Queremos atitudes, transparência e, acima de tudo, respeito pela nossa camisa.
Que essa novela tenha um final feliz. Que o Vasco encontre o seu caminho, seja ele qual for, e que a gente possa finalmente voltar a sorrir. Porque, no fim do dia, é só isso que importa. Vasco é coisa séria, e quem chegar tem que entender isso.
Informações com base em reportagem do ge.globo.com.