Quem manda no Vascão agora?
É, torcedor vascaíno… Quando a gente acha que já viu de tudo, o futebol, e principalmente o nosso Vascão, dá um jeito de surpreender. A notícia que caiu como uma bomba em São Januário é que, com o afastamento do nosso ídolo Pedrinho, temos uma nova comandante na SAF. O nome dela é Samantha Mendes Longo, e ela foi nomeada como interventora pela 4ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro. Na prática? Pelos próximos 60 dias, ela é a dona da caneta.
E ela mesma fez questão de deixar isso bem claro. Em uma conversa exclusiva com o portal ge, a advogada não fez rodeios: “Eu sou a interventora, sou a gestora da SAF, então eu tenho a caneta para dizer ‘contrata esse, demite aquele’. No fundo, a última palavra é minha”. Uma frase de impacto, que faz qualquer um gelar. A pessoa que decide o futuro do nosso time, a contratação do técnico que tanto esperamos, os reforços que precisamos… tem o poder absoluto.
Uma gestora sem paixão clubística
Mas aqui vem a parte que deixa a gente com a pulga atrás da orelha. Logo depois de afirmar que tem o poder de decisão, Samantha soltou a frase que mais ecoou entre o povo cruzmaltino: “Mas eu não tenho o perfil (de decidir a parte esportiva). Não tenho nem time, não torço para nenhum”. Isso mesmo que você leu. A mulher que tem a chave do cofre e o poder de montar nosso time não sente o que a gente sente. Não sabe o que é um domingo de angústia ou a alegria de um gol no último minuto no Caldeirão.
Segundo ela, seu perfil é outro. “Tenho um perfil conciliador, por isso a juíza me escolheu. Eu não sou pé na porta, não vou falar: ‘quem tem que escolher treinador sou eu, quem tem que contratar sou eu, vou trocar todo mundo’. Não é essa a minha intenção, não quero causar. Quero ajudar o Vasco a sair dessa situação”, explicou a advogada. A intenção parece boa, mas a gente sabe que no futebol, às vezes, é preciso ser ‘pé na porta’.
A ideia, segundo a interventora, é manter a parte esportiva com quem entende do riscado. Mas a decisão final, a assinatura no contrato, passará por ela. É uma situação no mínimo estranha para um clube da grandeza do Gigante da Colina, que vive de paixão e da força da sua torcida.
Missão: Botar a casa em ordem
Samantha Mendes Longo não é uma novata. Com mais de 20 anos de experiência em direito empresarial, ela já foi até diretora jurídica da CBF (entre maio de 2022 e fevereiro de 2023), sendo a segunda mulher a ocupar um cargo desse calibre na entidade. Sua missão no Vasco é clara e foi definida pela Justiça: restabelecer a governança, a transparência e a prestação de contas na nossa SAF.
Ela terá que apresentar relatórios quinzenais à Justiça, mostrando o que está sendo feito. Ou seja, a cobrança será grande. Nesta quinta-feira, ela já tem uma agenda cheia de reuniões para entender o vespeiro em que se meteu. “Amanhã estarei pessoalmente na SAF. Terei uma conversa com o CEO (Fred Luz) para entender a estrutura e tomar as melhores decisões, de quem decide o quê”, afirmou.
A interventora também comentou sobre o propósito original da Sociedade Anônima do Futebol, algo que parece ter se perdido no caminho. “A SAF veio para tirar o amadorismo e tornar profissional. Trazer transparência, eficiência e limpar atos corruptos. Como é o controle interno? Quem ocupa o que?”, questionou. Perguntas que todo vascaíno se faz há muito tempo.
E o futuro da 777 e os reforços?
Com a bola rolando (ou quase, já que estamos sem técnico), a maior agonia da torcida é sobre o time. E a venda? E o tal do Lamacchia que o Pedrinho disse que segue interessado? Samantha também tocou nesse ponto. “É tentar entender os personagens, entender os interessados na compra. Ver se tem mais interessados, maximizar o interesse”, disse ela, mostrando uma visão de negócio.
O que fica claro é que, enquanto essa briga de gigantes acontece nos bastidores, com 777, Pedrinho e a Justiça, o time fica em segundo plano. A interventora tem a faca e o queijo na mão para aprovar ou vetar qualquer movimento, seja a busca por um novo treinador ou a contratação daquele volante que tanto precisamos.
Resta a nós, fiéis do Gigante, esperar e torcer. Torcer para que essa intervenção, mesmo que fria e sem a paixão vascaína, consiga arrumar a bagunça administrativa para que o futebol possa voltar a ser a nossa única preocupação. É mais um capítulo sofrido da nossa história, mas como sempre, seguimos aqui. Porque Vasco é coisa séria, e a gente nunca abandona.
Informações com base em reportagem do ge.globo.com.