Um Grito de Gol Que Ecoa Há 100 Anos
Tem coisas que só o Vasco faz. Enquanto muitos se gabam de títulos recentes, o Gigante da Colina carrega nas costas a responsabilidade de ter moldado o futebol como o conhecemos. E não, não estamos falando apenas da luta contra o racismo. Estamos falando de bola na rede, de genialidade, de um lance que, há exatos 100 anos, nascia com a Cruz de Malta no peito.
No dia 27 de junho de 1926, o futebol brasileiro parou para testemunhar o impossível. Um ponta-esquerda do Vascão, um herói chamado Dininho, fez o que ninguém jamais havia feito em terras brasileiras: um gol olímpico. Um golaço direto da bandeirinha de escanteio, um marco eterno na nossa história gloriosa.
A Tarde Mágica de Dininho no Campo Rival
A partida era contra o Vila Isabel, válida pelo returno do Campeonato Carioca. E o palco, acreditem, era o campo da Rua Paysandu, a casa do nosso maior rival. Mesmo antes de ter o nosso Caldeirão de São Januário (inaugurado no ano seguinte, em 1927), o Vasco já mostrava quem mandava, invadindo o território inimigo para fazer história.
O Almirante já vencia por um placar elástico de 4 a 1. O time do povo estava passeando em campo. O placar foi construído com a raça e o talento de craques como Paschoal e Russinho, que marcaram dois gols cada um, amassando o adversário sem piedade. Naquela época, os jogos eram mais curtos, com dois tempos de 40 minutos, mas a intensidade vascaína era a mesma de hoje.
Foi nos minutos finais, com a vitória já garantida, que Dininho resolveu cravar seu nome na eternidade. Ele ajeitou a bola para a cobrança de escanteio, olhou para o gol e, com uma curva venenosa, mandou a bola para o fundo das redes. O quinto gol. O gol histórico. O primeiro gol olímpico do Brasil era do Club de Regatas Vasco da Gama. Que honra, meus amigos!
Por Que ‘Gol Olímpico’? A História Por Trás do Nome
Muitos gritam ‘gol olímpico’ hoje sem saber a origem dessa expressão. E, como não poderia deixar de ser, ela nasceu de uma provocação no futebol. Menos de dois anos antes do feito de Dininho, em 2 de outubro de 1924, o argentino Cesáreo Onzari marcou o primeiro gol do tipo na história, num amistoso entre Argentina e Uruguai.
A seleção uruguaia era a atual campeã olímpica, tendo vencido os Jogos de Paris de 1924. Por isso, o gol foi batizado de ‘gol aos olímpicos’, uma forma de tirar um sarro dos campeões. Com o tempo, a expressão foi abreviada e se popularizou, virando o ‘gol olímpico’ que conhecemos.
O mais impressionante é que essa jogada só foi possível por uma mudança recente na regra do futebol, que passou a validar gols marcados diretamente de uma cobrança de escanteio. O Vasco, sempre na vanguarda, não perdeu tempo para usar a nova regra e deixar sua marca.
Um Título Que Escapou por Um Triz
A temporada de 1926, apesar do feito histórico de Dininho, carrega aquela dose de sofrimento que todo vascaíno conhece bem. Mesmo com um time forte, que goleava e fazia história, o título do Campeonato Carioca escapou por muito pouco.
O campeão daquele ano foi o São Cristóvão, que terminou a competição com apenas um ponto de vantagem sobre o nosso Vascão. É a prova de que ser vascaíno nunca foi fácil. Lutamos, brilhamos, inovamos, mas nem sempre o troféu veio. A glória, no entanto, é eterna. O gol de Dininho vale mais que muitas taças por aí, pois ele não pode ser apagado.
Lembrar dos 100 anos do primeiro gol olímpico do Brasil é celebrar a essência do Vasco. Um clube pioneiro, corajoso e que nasceu para ser gigante. Dininho, Paschoal, Russinho… heróis que vestiram nossa camisa e que merecem ser lembrados para sempre pela torcida que nunca abandona. O Vasco é coisa séria, e nossa história é a maior de todas.
Informações com base em reportagem do www.lance.com.br.