Acabou a paciência, torcedor vascaíno. A diretoria do Gigante da Colina finalmente parece ter entendido o que a gente já sabia: a solução para os nossos problemas pode não estar aqui no Brasil. A estratégia mudou. Depois de uma sucessão de técnicos brasileiros que não deram certo na gestão Pedrinho, o Vascão vira a chave e passa a priorizar um comandante estrangeiro. E o nome da vez, para apimentar ainda mais as coisas, está no nosso rival: o português Franclim Carvalho, que hoje comanda o Botafogo.
A decisão de buscar um ‘mister’ de fora não é um mero capricho. É uma resposta direta a um vestiário rachado e a um ambiente que se tornou insustentável. A demissão de Renato Gaúcho no último dia 18 foi a gota d’água de um trabalho que, segundo apurações do ge, já estava minado por dentro.
O estopim: A relação desgastada com Renato Gaúcho
Vamos falar a real, sem meias palavras. A passagem de Renato Gaúcho por São Januário terminou de forma melancólica. Mais do que os resultados em campo, o que selou o destino do treinador foi o péssimo relacionamento com parte do elenco. A diretoria entendeu que uma mudança de ambiente era fundamental, e essa mudança não aconteceria com ele no comando.
O problema era ainda mais grave com os nossos jogadores estrangeiros. O Vasco tem, hoje, oito atletas de fora do Brasil no elenco, e o desgaste com eles era notório. O caso mais emblemático, que a gente não esquece, foi a declaração infeliz de Renato ao ser perguntado sobre a má fase de Marino Hinestroza. O então técnico teve a coragem de dizer que jogadores nascidos na Colômbia e no Equador têm ‘muita dificuldade de adaptação’ ao futebol brasileiro. Uma fala que pegou muito mal e expôs uma ferida no grupo.
Por isso, a busca agora é por um treinador que saiba fazer gestão de grupo, que consiga unir o elenco e, principalmente, que saiba trabalhar com os nossos ‘gringos’, que são um patrimônio importante do clube.
Por que Franclim Carvalho? O alvo que mora ao lado
Com a nova diretriz em mãos, a diretoria elaborou uma lista de nomes, e a maioria esmagadora era de estrangeiros. O entendimento é claro: o mercado brasileiro está escasso de opções que se encaixem no perfil que o Gigante da Colina precisa neste momento de reconstrução.
É aí que surge o nome de Franclim Carvalho. O português, atualmente no Botafogo, é visto com muito bons olhos por várias razões:
- Metodologia: Ele era auxiliar de Artur Jorge, um antigo sonho de consumo do Vasco após a demissão de Fernando Diniz. Acredita-se que Franclim siga a mesma linha de trabalho, com ideias de jogo modernas e alinhadas com o que o nosso departamento de futebol busca.
- Conhecimento do Rio: Uma vantagem enorme. Ele e sua família já moram no Rio de Janeiro, o que elimina toda a burocracia e o tempo de adaptação que um técnico vindo da Europa teria. Ele poderia assumir o trabalho quase que imediatamente.
- Bom relacionamento: O estafe do treinador tem uma boa relação com nosso diretor de futebol, Admar Lopes. Isso, no mundo do futebol, facilita muito qualquer negociação.
As conversas, inclusive, corriam bem. Mas, como no Vasco nada é simples, a briga política nos bastidores atrapalhou tudo.
A lista de gringos e a guerra com a 777 Partners
Franclim não foi o único nome na mesa. O Vasco pensou grande e consultou diversas opções no mercado internacional, mostrando uma ambição que agrada a torcida. O problema é que, para cada passo à frente, parece que damos dois para trás por causa da instabilidade política.
Veja a lista de quem foi cogitado ou procurado:
- Vasco Matos: Outro português que foi consultado. As negociações não avançaram justamente por causa da decisão judicial que afastou Pedrinho do comando da SAF.
- Vitor Matos: Um nome interessantíssimo. Ex-auxiliar do lendário Jürgen Klopp no Liverpool, hoje comanda o Swansea City, da Inglaterra. Foi um nome debatido internamente.
- Marcello Gallardo: O sonho de muito clube. Houve um contato inicial, mas o argentino informou que deseja tirar um período sabático. Não avançou.
- Hernán Crespo: Outro argentino de peso, cogitado, mas sem evolução concreta das duas partes. Ele, que estava livre desde a demissão do São Paulo em março, agora negocia com o Al-Sadd, do Catar.
O padrão é claro: as negociações com Franclim Carvalho e Vasco Matos desaceleraram exatamente quando a 777 Carioca conseguiu na Justiça, na última terça-feira, retirar Admar Lopes e Pedrinho do poder. É frustrante. Parece que, enquanto a diretoria tenta arrumar a casa dentro de campo, uma guerra nos tribunais joga tudo por terra.
Um passado recente que assombra
Essa busca por um novo perfil de técnico também nos faz lembrar da curtíssima e desastrosa passagem de Álvaro Pacheco. Contratado ainda sob a tutela da 777 Partners, o português durou apenas 30 dias no cargo, acumulando três derrotas e um empate. Um trauma recente que mostra a importância de acertar na escolha, mas também de dar respaldo e tranquilidade para o profissional trabalhar.
A gestão de Pedrinho, até agora, só havia apostado em nomes brasileiros: Rafael Paiva (interino), Fábio Carille, Fernando Diniz e, por fim, Renato Gaúcho. A mudança de rota é um reconhecimento dos erros e uma tentativa de, finalmente, encontrar um caminho. Resta saber se a guerra política que assola São Januário vai permitir que o Vascão tenha paz para contratar e, mais importante, para voltar a ser o Gigante que nunca deveríamos ter deixado de ser.
Informações com base em reportagem do ge.globo.com.