É, torcedor vascaíno… Quando a gente acha que o poço não tem mais fundo, alguém liga uma britadeira. A novela Fernando Seabra, que mal começou, teve o seu capítulo final da forma mais humilhante possível: com um sonoro e público ‘NÃO’. O Coritiba não só manteve seu treinador, como fez questão de esfregar na nossa cara a nossa própria desorganização.
Em um pronunciamento oficial, que mais pareceu uma provocação, o clube paranaense confirmou que Fernando Seabra fica. E o pior não foi nem a recusa, mas a forma como foi comunicada. O diretor de futebol deles, William Thomas, foi a público para explicar o que aconteceu, deixando o Gigante da Colina em uma saia justa monumental.
Segundo o dirigente, o Vascão fez a abordagem, mas as condições não agradaram. “Houve realmente uma abordagem conosco para uma negociação, da qual prontamente o clube declinou e não avançou com as condições que estavam pré-estabelecidas”, disse Thomas. Traduzindo do ‘cartolês’ para o bom português: o Vasco não tinha dinheiro para pagar à vista.
O VEXAME EM PRAÇA PÚBLICA
A situação é de chorar. O Almirante, com toda a sua história, aceitou pagar o valor da multa rescisória, mas tentou parcelar o pagamento. O motivo? A “situação financeira crítica” que todos nós, que sangramos por essa camisa, conhecemos tão bem. O Coritiba, por sua vez, bateu o pé: ou o dinheiro todo na mesa, ou nada feito. E foi nada feito.
O diretor do Coxa ainda aproveitou para inflar o peito e falar em “força institucional” e “posicionamento claro e definitivo para o mercado”. Ou seja, usaram a nossa dificuldade para se promover. Enquanto o Vasco se afunda na incerteza, os outros usam nossa crise como trampolim. É um tapa na cara de cada um de nós, fiéis do Gigante.
A diretoria deles fez questão de pintar um cenário de convicção e projeto sólido, justamente tudo o que nos falta nesse momento. “Temos muita convicção no projeto do clube”, afirmou William Thomas, em um recado que ecoou como uma bomba em São Januário.
‘SINTO MUITO PELO TRANSTORNO’: A DESCULPA QUE NÃO FOI PARA NÓS
Para completar o circo de horrores, o próprio Fernando Seabra gravou um vídeo. Mas se você pensa que ele lamentou não vir para o time do povo, está muito enganado. O pedido de desculpas foi para a torcida deles, a “Nação Coxa Branca”.
“Olá, Nação Coxa Branca. Fernando Seabra aqui, passando primeiramente para dizer que sinto muito pelo transtorno dos últimos dias. A gente sabe todo o sofrimento e angústia que isso causou”, disse o treinador. Sim, você leu direito. A nossa tentativa de contratá-lo foi tratada como um “transtorno”. Ele ainda reforçou o compromisso com o projeto do Coritiba, dizendo que “seguimos fortes no projeto”.
É de uma ironia cruel. O sofrimento e a angústia estão aqui, do nosso lado, vendo o clube que amamos ser tratado como um problema, um mero inconveniente na rotina de um time da Série B.
E AGORA, VASCO? O TEMPO ESTÁ ACABANDO!
Enquanto o Coritiba celebra sua “força institucional”, o Vascão segue à deriva. O Campeonato Brasileiro não vai esperar a nossa casa se arrumar. No dia 16 de julho, temos uma batalha contra o Vitória, no Barradão, pela 19ª rodada. E quem estará no banco de reservas?
A diretoria corre contra o tempo, mas cada ‘não’ que recebemos expõe ainda mais a nossa fragilidade. Como planejar uma reação no campeonato sem um comandante? Como motivar os jogadores sem uma direção clara? São perguntas que ecoam no vazio de São Januário.
A verdade nua e crua é que a recusa de Seabra não é apenas a perda de um treinador. É o sintoma de uma doença grave: a falta de dinheiro, de planejamento e, acima de tudo, de respeito com a nossa história. O Gigante da Colina não pode ser motivo de piada. Precisamos de uma resposta, e precisamos dela para ontem. A torcida vascaína, como sempre, segue aqui, esperando por dias em que a nossa grandeza volte a ser a nossa principal notícia.
Informações com base em reportagem do www.lance.com.br.