Empate com gosto de derrota e um nó na garganta
Mais uma noite em São Januário, mais uma vez o coração do torcedor vascaíno é testado. O placar de 1 a 1 contra o Mirassol, pela 20ª rodada do Brasileirão de 2026, não reflete o filme de terror e redenção que vivemos. Saímos com um ponto, mas com a sensação amarga de que, mais uma vez, fomos nossos próprios inimigos.
De um lado, a raça de um herói improvável que nos salva do pior. Do outro, uma sucessão de erros que beira o inacreditável e que nos custou a vitória. É a dualidade de ser Vasco: sofrer, lutar e, no fim, respirar aliviado por um golaço que mascara uma atuação para ser esquecida.
O gol que ninguém acredita: a falha coletiva que custou caro
Não tem como começar a análise sem falar do crime que foi o gol do Mirassol. Um lance que deveria ser rotineiro, uma simples cobrança de escanteio, se transformou em um pesadelo. E com nomes e sobrenomes: Cuiabano, Puma e Adson. A bola viaja na primeira trave e Igor Formiga sobe sozinho, como se estivesse treinando no quintal de casa. Inaceitável!
A avaliação é dura, mas precisa. Cuiabano fez, sem a menor dúvida, sua pior partida com a camisa do Gigante da Colina. Era ele o primeiro homem no combate, mas deixou a bola passar como se não fosse com ele. Um erro crasso, infantil, de quem não entendeu o peso de vestir nosso manto. Para piorar, não acertou um cruzamento sequer e foi um desastre nos duelos defensivos.
Adson, o jogador que brilhou em 2025, parece uma sombra de si mesmo. A pixotada com 30 segundos de jogo já anunciava o desastre. Falhou junto com os outros no gol e perambula em campo. É uma péssima atuação atrás da outra em 2026. E Puma? Estava ali, na cena do crime, e não marcou ninguém. Uma falha de atenção tenebrosa que nos obrigou a correr atrás do prejuízo desde o início.
O gigante que nunca desiste: Gómez, o herói solitário
Mas nem tudo foi desgraça. Porque se tem uma coisa que essa torcida sabe é que, no meio do caos, sempre surge um guerreiro para chamar a responsabilidade. E esse guerreiro tem nome: Pablo Galdames. Quando tudo parecia perdido, quando o time se arrastava em campo, foi dos pés dele que saiu a salvação.
Deslocado para a direita, onde já nos deu tantas alegrias, ele acertou um chutaço de esquerda. Um golaço! Desses de lavar a alma, de fazer o Caldeirão explodir. Antes mesmo do gol, já era o jogador que mais tentava, que errava, sim, mas que não se escondia. É o tipo de jogador que a gente respeita. O que não desiste nunca. Gómez nos salvou de um vexame histórico em casa.
Luzes e sombras: quem mais se salvou (e quem afundou) no Vascão?
Analisar o time do Vasco é um exercício de paciência. Tivemos atuações que variaram do trágico ao aceitável. Vamos separar o joio do trigo:
- Os que afundaram junto: Além do trio do gol, Rayan teve uma noite para esquecer. Errou simplesmente tudo que tentou, enrolou-se com a bola e perdeu chances claras. Rossi também não foi bem, com muitas decisões erradas, mostrando que precisamos urgentemente de reforços para o ataque. Praxedes entrou mal, com um chute bizarro que desperdiçou um ataque.
- Os regulares, que não comprometeram: Leo não falhou, teve uma partida regular. Zé Gabriel deu alguma proteção à defesa. Léo Pelé esteve abaixo na parte ofensiva, mas fez cortes importantes no fim. Mateus Carvalho até distribuiu o jogo, mas deixa muitos espaços e parece sem gás para ser titular.
- Sinais de esperança: Sforza, voltando de lesão, entrou e acertou quase tudo, equilibrando a equipe. Boa atuação! Hugo Moura também entrou bem, conectando ataques e fazendo uma falta tática importante. E David, que deu mais peso à área e até teve um gol anulado, merece mais minutos. Mostrou vontade.
- O caso Paulinho: Fez dois tempos completamente distintos. No primeiro, foi um dos melhores, arriscando passes e finalizando. No segundo, sumiu e abusou de passes errados por elevação. Uma montanha-russa.
E o técnico? As lições de um empate sofrido
É preciso dizer que o time sofreu com desfalques importantes. Brenner e Thiago Mendes, fora por uma gastroenterite, fizeram falta. A ideia de entrar com três volantes era boa no papel, para dar mais segurança. Mas a execução foi por água abaixo com aquela falha grotesca de atenção.
O comando técnico precisa repensar urgentemente o lado direito do time, tanto na defesa quanto no ataque. É uma avenida! As substituições até ajeitaram a equipe, que conseguiu o empate na base da insistência e do talento individual de Gómez. Mas não podemos depender de um milagre por jogo. O Vasco é coisa séria e precisa de mais organização e menos sustos.
Saímos com um ponto, mas com a lição de que a luta será longa. Que esse gol de Galdames sirva de inspiração, e que os erros sirvam de aprendizado. Porque essa torcida, que nunca abandona, merece mais. Muito mais.
Informações com base em reportagem do ge.globo.com.