‘É ESSE TESÃO QUE O TORCEDOR QUER VER’
Acabou o jogo, mas a aula do professor Renato Gaúcho estava só começando. Depois de uma vitória suada, na raça, por 1 a 0 contra o Athletico-PR dentro do nosso Caldeirão de São Januário, o comandante do Vascão foi para a coletiva e mandou o recado que todo vascaíno queria ouvir. Sem meias palavras, ele definiu o espírito que quer ver em campo.
“Quando eu cheguei, eu disse que queria, no mínimo, meu grupo com muito tesão. Então eu não vou cansar de repetir essa palavra. É essa entrega, esse tesão que eles estão tendo dentro do campo que o torcedor quer ver”, disparou Renato. É isso! Chega de time apático, de corpo mole. O Vasco é coisa séria, é luta, é camisa que pesa. E nosso técnico parece ter entendido isso desde o primeiro dia.
A vitória não foi só mais três pontos. Foi a confirmação de que o time comprou a ideia. Renato viu um Vasco dominante desde o começo, que não deu brecha para o adversário. “Fizemos um bom jogo desde o início. Criamos, tivemos a vontade de vencer que tanto peço para eles, não demos chances para o adversário. Conseguimos, com muita entrega, sair da zona perigosa”, analisou. Respiramos, Gigante!
CHEGA DE SER ROBIN HOOD: A META AGORA É LIBERTADORES!
Mas se você acha que o professor está satisfeito só em sair do sufoco, está muito enganado. Renato Gaúcho foi cirúrgico ao diagnosticar um problema crônico do nosso time: a irregularidade. E ele usou uma metáfora perfeita, que dói mas é a mais pura verdade.
“Contra os cinco primeiros colocados, tivemos quatro vitórias e um empate, mas não podemos ser Robin Hood. Tirar dos grandes e entregar aos pequenos”, cobrou o treinador. Quantas vezes já vivemos esse filme, torcedor? Ganhamos do líder e na rodada seguinte tropeçamos em casa contra o lanterna. Acabou a palhaçada!
A cobrança tem um motivo nobre, um sonho que volta a ser possível: a Libertadores. “Precisamos dessa sequência para brigar por coisas maiores, no mínimo uma Libertadores”, cravou. É esse o pensamento. O Vasco é gigante e tem que pensar como tal. Chega de brigar lá embaixo. A torcida que nunca abandona merece ver o Almirante de volta ao seu devido lugar.
AS ESCOLHAS DO PROFESSOR E A RAÇA ARGENTINA
Renato também falou sobre suas escolhas e mostrou que está de olho em cada detalhe. Explicou a situação de Adson, que ficou quase dois anos parado por lesão e está voltando aos poucos. “É difícil voltar depois de um longo tempo… No momento que o adversário começou a crescer pelo lado, tive que mudar”, justificou, mostrando leitura de jogo.
Ele também deixou claro que o time que entra em campo depende do adversário. Contra a defesa de três zagueiros do Athletico, a escolha por jogadores de drible como Adson, Andrés e Rojas foi estratégica. “Nada melhor do que ter um jogador de drible e um contra um”, explicou. Com jogos a cada três dias, rodar o elenco é fundamental para ter “sangue novo”.
E o que falar de Spinelli? O argentino personificou a raça que Renato tanto pede. O técnico não poupou elogios. “O Spinelli fez o papel dele muito bem, principalmente aquilo que peço do atacante: segurar uma bola na frente, cavar uma falta, brigar com os zagueiros… isso ele fez muito bem. Argentino tem essa raça aí”, comentou, antes de reforçar que o mérito é do grupo todo, incluindo a grande partida de Thiago Mendes.
O CAMINHO É A LUTA: O RECADO FINAL DE RENATO
Ao final, Renato deixou a mensagem mais importante, a filosofia que tem que guiar o Vasco até o fim do campeonato. O resultado pode não vir sempre, mas uma coisa é inegociável para o nosso comandante.
“O resultado até pode ser negativo, mas o que não pode é deixar de lutar. Isso que eu cobro bastante do meu grupo”, finalizou. Essa frase tem que estar estampada no vestiário, na alma de cada jogador que veste a Cruz de Malta.
A vitória nos coloca em 8º lugar e nos permite sonhar. Mas o mais importante foi a demonstração de entrega. Com esse espírito guerreiro, com esse “tesão” que o professor exige, o povo cruzmaltino pode voltar a ter orgulho do time que vê em campo. A caminhada é longa, mas o primeiro passo foi dado. Pra cima deles, Vascão!