A bronca do Gigante no Paraguai
Não é choro, é constatação. Em mais uma noite amarga para o povo cruzmaltino, o Vasco da Gama foi derrotado por 3 a 1 pelo Olimpia, no Defensores del Chaco, e a sensação que fica é que, mais uma vez, lutamos contra mais do que onze. Quem botou a boca no trombone e falou o que toda a torcida vascaína estava engasgada foi o auxiliar permanente Bruno Lazaroni, que assumiu a coletiva no lugar de Marcelo Salles, expulso no primeiro tempo. Sem meias palavras, Lazaroni apontou a mira para a arbitragem desastrosa de Wilmar Roldán.
A estratégia do Vascão era clara, e o próprio Lazaroni explicou. A ideia era deixar o time paraguaio com a bola e atacar nos contra-ataques, na transição rápida. E, segundo ele, a tática estava funcionando. “Tivemos oportunidades no decorrer do jogo, por duas ou três vezes podíamos ter matado a partida”, afirmou. Mas aí, meus amigos, entra o fator que a gente conhece bem. O apito.
‘O critério não foi o mesmo para as duas equipes’
Essa foi a frase que resumiu a ópera do horror em Assunção. Lazaroni foi cirúrgico ao apontar a falta de critério do árbitro colombiano. A cada dividida, a cada jogada mais ríspida, a balança parecia pender sempre para o mesmo lado. E não é clubismo, são fatos. O auxiliar do Gigante da Colina foi direto ao ponto, citando o lance que originou o segundo gol dos paraguaios.
“A gente teve pelo menos duas transições ofensivas que poderiam ter terminado no mínimo em finalização. A falta que gerou o segundo gol (do Olimpia), ele (árbitro) não deu para a gente o jogo inteiro, aí o árbitro de linha vai, marca e o árbitro aceita. Nos prejudicou a falta de critério”, desabafou. É o tipo de coisa que tira qualquer um do sério. Você joga, luta, se dedica, mas parece que o roteiro já está escrito por quem não veste nossa camisa.
A expulsão e a matemática ingrata
Para complicar ainda mais, o Vasco teve um jogador expulso pelo terceiro jogo consecutivo. Desta vez, o garoto João Vítor Mutano levou o vermelho direto após uma solada em um adversário. Lazaroni, com honestidade, admitiu: “A expulsão foi correta”. Mas ele fez questão de contextualizar.
“É um menino, não podemos responsabilizar. Foi o primeiro jogo dele de início. Foi um momento crucial da partida”, ponderou, defendendo o jovem atleta. E, claro, ele voltou a cutucar a arbitragem: “Mas eu destaco de novo a falta de critério pela forma como ele (árbitro) estava marcando, ou não marcando, as faltas ao nosso favor”. A expulsão pode ter sido justa, mas o clima de perseguição criado pelo juiz certamente influenciou o andamento do jogo.
E agora, Vascão? A conta ficou cara
Com a derrota, o Almirante caiu para a segunda colocação do Grupo G da Copa Sul-Americana. A vida, que parecia tranquila, se complicou. Agora, a classificação direta para as oitavas de final não depende apenas de nós. A decisão será na próxima quarta-feira, no Caldeirão de São Januário, contra o Barracas Central.
A matemática é a seguinte: precisamos vencer o nosso jogo e torcer para que o Audax Italiano vença o Olimpia. Mas atenção: sem que os chilenos apliquem uma goleada histórica, para não nos superarem no saldo. Uma combinação de resultados que deixa qualquer torcedor com o coração na mão. “Ficou mais difícil porque não dependemos apenas do nosso resultado”, admitiu Lazaroni.
Mas se tem uma coisa que essa torcida sabe fazer é acreditar. A fala final do nosso auxiliar serve de lema: “Vamos encarar esse jogo como encaramos todos os jogos como jogamos a competição até agora. Queremos ganhar e vamos ver quem vai passar no final”. É isso. É encher São Januário, empurrar o time do início ao fim e mostrar por que somos o time da virada. A luta continua, Gigante. Nós nunca abandonamos.