A verdade por trás da negociação da SAF
A Nação Cruzmaltina acordou com mais um capítulo na novela da nossa SAF. Depois de José Lamacchia citar seu nome, o ex-vice-presidente jurídico do Vasco, Felipe Carregal, veio a público botar o pingo no ‘i’. E olha, o que ele falou é de arrepiar. Procurado pelo ge, Carregal não fugiu da raia e explicou as duas condições que ele, como um bom vascaíno, exigiu para proteger o nosso clube e que, pelo visto, incomodaram muita gente.
A gente aqui, que vive o Vascão na veia, sabe que toda negociação tem que ser feita com os olhos bem abertos. E foi exatamente isso que Carregal fez. Ele confirmou que sempre foi a favor da venda, mas não a qualquer preço, não de qualquer jeito. O Vasco é gigante demais pra aceitar migalhas ou acordos que nos diminuam. E as ponderações dele mostram que a coisa era mais séria do que parecia.
Alerta 1: Vasco sem voz e sem vez no próprio futebol
O primeiro ponto que o ex-VP levantou é de revirar o estômago de qualquer torcedor. Segundo ele, a proposta do investidor era simplesmente apagar o Vasco da gestão da sua própria SAF. É isso mesmo que você leu. Eles não queriam dar NENHUMA cadeira para o clube no Conselho de Administração e nem no Conselho Fiscal.
Isso significa que o Club de Regatas Vasco da Gama, o dono da camisa, da história e de 30% do negócio, não teria um único representante para fiscalizar, opinar ou simplesmente saber o que estava acontecendo lá dentro. Carregal bateu o pé, e com toda razão! Ele defendia que o clube, como acionista minoritário, precisava de uma mínima representatividade. Chegou a sugerir que o presidente do clube ocupasse essa cadeira.
Para se ter uma ideia do absurdo, ele lembrou do acordo com a 777. Por pior que tenha sido, naquele contrato o Vasco tinha duas de sete cadeiras no Conselho de Administração e uma de três no Conselho Fiscal. A nova proposta era um retrocesso GIGANTE. Era como vender a casa e ainda ser proibido de olhar pela janela. Inaceitável!
Alerta 2: O dinheiro que ia ‘encolher’ com o tempo
Se a falta de poder já era preocupante, a questão financeira era igualmente grave. O acordo previa aportes que somariam R$ 500 milhões ao longo de cinco anos, com parcelas anuais de R$ 100 milhões. Parece muito, né? Mas aí entra a malandragem que Carregal, como bom advogado, percebeu.
Não havia no contrato nenhuma previsão de correção monetária! Em bom português de arquibancada: o dinheiro perde valor com o tempo por causa da inflação. Os R$ 100 milhões prometidos para daqui a cinco anos valeriam muito menos do que R$ 100 milhões hoje. Na prática, o Vasco receberia um valor bem menor do que o anunciado com pompa.
Mais uma vez, Carregal usou o contrato anterior como referência: no acordo com a 777, essa correção estava prevista. Ou seja, queriam nos empurrar um negócio financeiramente pior, contando que ninguém notaria esse ‘detalhe’. Ainda bem que tinha um vascaíno de olho para proteger nosso patrimônio.
Pressionado por defender o Vasco e afastado por não ceder
E qual foi o resultado de defender os interesses do Gigante da Colina? Felipe Carregal contou que, por causa dessas ponderações jurídicas, começou a ser pressionado para ‘mudar de opinião’. A desculpa? Sua postura criteriosa estaria “atrapalhando a venda”.
É um escândalo! Um diretor é pressionado por fazer seu trabalho, que é proteger o clube? Mas como um verdadeiro guerreiro, ele não cedeu. “Não mudei meu entendimento e fui afastado das negociações há alguns meses”, revelou Carregal. Ele foi colocado de lado justamente por não concordar em assinar um cheque em branco que prejudicaria o futuro do nosso Almirante.
Ele ainda confirma que esteve no escritório de Lamacchia, com o conhecimento do presidente Pedrinho, para tentar aparar as arestas. Sua intenção era viabilizar o negócio, mas de uma forma que fosse justa e segura para o Vasco. No fim, a decisão final era de Pedrinho, mas a orientação jurídica que protegia o clube foi ignorada e seu autor, afastado.
Até hoje, segundo ele, não se sabe por que o memorando de entendimento não foi assinado. Será que as preocupações de Carregal continuam sendo um impasse? A torcida vascaína, que nunca abandona, merece respostas. Queremos a venda, queremos a salvação, mas com respeito à nossa história e à nossa camisa. Não a qualquer custo.
Informações com base em reportagem do ge.globo.com.