Mais um dia, mais um vexame. O Vasco da Gama segue à deriva, sem um comandante para chamar de seu desde a saída de Renato Gaúcho, no já distante 18 de junho. E o pior, meu amigo vascaíno, não é a falta de opções no mercado. O problema é muito mais profundo e vergonhoso: a bagunça institucional que tomou conta de São Januário está afugentando qualquer profissional sério.
Parece piada, mas é a mais pura e dolorosa realidade. A diretoria, ou quem quer que esteja no comando dessa nau sem rumo, coleciona fiascos e expõe o Gigante da Colina ao ridículo. Tivemos não um, mas DOIS acertos praticamente selados que ruíram por motivos que envergonhariam qualquer clube minimamente organizado. A verdade é uma só: nosso maior adversário, hoje, veste terno e gravata e senta nas cadeiras de São Januário.
A torcida vascaína, que nunca abandona, assiste a tudo com uma mistura de raiva e desespero. Promessas são feitas, nomes são vazados, a esperança é acesa e, no fim, o balde de água fria vem com força total. Enquanto isso, o tempo passa, os adversários se reforçam e o Vascão segue paralisado, refém de uma guerra de poder que parece não ter fim.
O ‘não’ do rival e a instabilidade exposta
A primeira tentativa, e o primeiro papelão, foi com Franclim Carvalho, técnico do rival Botafogo. Numa manobra que mostra o nível do amadorismo, a diretoria cruzmaltina foi direto nos representantes do treinador, sem sequer dar um telefonema para o clube alvinegro. Uma total falta de etiqueta no mundo do futebol.
A proposta era boa, incluía valorização salarial e o pagamento da multa rescisória, que era considerada baixa. As conversas avançaram, e por um momento, pareceu que teríamos um novo comandante. Mas aí, a realidade vascaína bateu à porta de Franclim. O treinador, vendo o cenário de incerteza absoluta após o afastamento de Pedrinho da presidência da SAF, simplesmente recuou.
Ele preferiu ficar onde estava, num ambiente estável, a se aventurar no caos que se tornou o nosso Vasco. É duro de admitir, mas quem pode culpá-lo? Nenhum profissional em sã consciência trocaria um projeto sólido por um clube que não sabe quem manda, quem paga a conta ou qual será o dia de amanhã. O “não” de Franclim foi o primeiro grande sintoma da doença que nos consome.
Passagem comprada, acordo desfeito: o fiasco de R$ 5 milhões
Se o episódio com o técnico do Botafogo foi vergonhoso, o que aconteceu com Fernando Seabra, do Coritiba, beira o inacreditável. É o tipo de história que, se não fosse com o nosso Vascão, a gente diria que é mentira de portal. Mas infelizmente, é a nossa triste realidade.
O clube mirou em Seabra, que faz um bom trabalho no time paranaense. A proposta foi feita e, desta vez, o “sim” veio. O treinador aceitou o desafio, recebeu a garantia de um aumento salarial e o negócio estava tão certo que o Vasco chegou a COMPRAR a passagem aérea dele para o Rio de Janeiro! Faltava apenas assinar o papel.
E o que aconteceu? O castelo de cartas desmoronou pelo detalhe mais primário de qualquer negociação: o pagamento da multa. O Coritiba pedia o valor da rescisão, estimado em cerca de R$ 5 milhões, de uma forma, e o Vasco queria pagar de outra. Sim, você leu direito. Por uma divergência na FORMA de pagamento, não no valor, a negociação inteira foi para o ralo. Seabra ficou em Curitiba, e o Vasco, com a passagem na mão e a cara no chão.
Isso não é apenas incompetência, é um atestado de que o clube está paralisado. Como se chega a um acordo verbal, se compra passagem e não se alinha o fluxo de pagamento de uma multa rescisória? É a prova cabal de que a instabilidade interna impede qualquer planejamento minimamente sério.
Quem manda no Gigante?
A pergunta que ecoa na cabeça de todo torcedor é uma só: quem, afinal, está no comando do Vasco? A recusa de Franclim foi diretamente ligada à crise política. O fiasco com Seabra foi por uma divergência financeira que denota desorganização. Para piorar, o nome de Jair Ventura, do Vitória, também foi ventilado, mas o próprio técnico se negou a comentar o assunto, mostrando o quão tóxico se tornou qualquer boato envolvendo o Cruzmaltino.
Estamos perdidos. Sem técnico, sem direção e, o que é pior, sem perspectiva de melhora enquanto essa guerra nos bastidores não acabar. O povo cruzmaltino, que carrega esse clube nas costas, exige respostas e, acima de tudo, respeito. Chega de amadorismo. Chega de vexame. Precisamos de um comandante em campo, mas antes disso, precisamos de ordem fora dele. Até quando teremos que aguentar essa humilhação?
Informações com base em reportagem do www.lance.com.br.