Parecia que a agonia tinha acabado, torcedor. Mas se tratando de Vasco, a gente sabe que a calmaria sempre precede a tempestade. O que era dado como certo, comemorado pelo empresário e esperado pela nação cruzmaltina, virou fumaça da forma mais humilhante possível: Fernando Seabra não vem mais. A novela, que prometia um final feliz, terminou com um roteiro de filme de terror.
A história é de chorar e rir de nervoso. O técnico Fernando Seabra tinha viagem marcada para o Rio de Janeiro na noite de quinta-feira. A passagem estava comprada, a mala provavelmente pronta. Mas o voo foi cancelado. O motivo? Um impasse inacreditável na reta final do negócio que expõe, mais uma vez, a fragilidade da nossa diretoria.
A Proposta ‘Irrecusável’ que não foi Suficiente
Nosso diretor de futebol, Admar Lopes, foi até Curitiba para fechar o negócio. A missão era clara: trazer um comandante para o Gigante da Colina. Nas conversas com o empresário de Seabra, Hugo Magalhães, a proposta foi classificada como ‘irrecusável’. Um salário três vezes maior do que ele recebia no Coritiba. Era para ser xeque-mate.
Desde o início, Seabra pediu uma coisa: agilidade. Ele não queria uma negociação arrastada que criasse um desgaste com o Coritiba, clube do qual ele não queria sair pela ‘porta dos fundos’. Mal sabia ele que o Vasco é especialista em criar novelas e desgastes.
O Time que Nunca Chegou: O Efeito Dominó do Fracasso
O acordo parecia tão certo que Seabra já tinha montado sua comissão técnica para desembarcar em São Januário. E aqui a vergonha ganha nomes e sobrenomes, com profissionais que foram deixados na mão. A equipe apalavrada era:
- Auxiliares: Vinicius Rováris e Álvaro Martins
- Preparador Físico: Fábio Eiras
- Analista de Desempenho: Henrique Américo
A situação de Henrique Américo é o retrato do caos. O profissional PEDIU DEMISSÃO do Cruzeiro na quinta-feira para se juntar ao projeto no Vascão. Dá pra imaginar a cara desse sujeito agora? É o tipo de amadorismo que afasta gente séria do nosso clube.
O Calcanhar de Aquiles: A Multa de R$ 5 Milhões
Mas afinal, o que deu errado? A resposta tem cifras: R$ 5 milhões. Esse era o valor da multa rescisória de Fernando Seabra com o Coritiba. E o clube paranaense foi irredutível: só liberaria o treinador com o pagamento à vista. Uma única parcela.
Do nosso lado, a diretoria tentava um parcelamento. Admar Lopes se reuniu com a cúpula do Coxa, mas não teve jeito. Segundo a apuração, em NENHUM momento o Vasco sinalizou que pagaria o valor de uma vez só. Cinco milhões de reais, para o futebol de hoje, virou uma barreira intransponível para o Gigante. É de doer na alma.
O Post Apressado e o Balde de Água Fria
Para piorar o cenário, uma publicação do empresário Hugo Magalhães nas redes sociais, comemorando o acerto, teria causado um profundo incômodo na diretoria do Coritiba. Com o ego ferido, os paranaenses decidiram levar a negociação ao limite, amparados pelo contrato.
Enquanto a passagem de Seabra era cancelada, o clima de apreensão tomava conta. O treinador foi ao CT do Coritiba, conversou com os dirigentes, ouviu que o projeto contava com ele e, diante da instabilidade e da trapalhada vascaína, preferiu a segurança. A decisão foi comunicada no início da tarde de sexta.
O golpe de misericórdia veio em um vídeo, com o diretor do Coxa, William Thomas, onde Seabra confirmou que ficaria. O Vasco ainda tentou uma última cartada, mas o estrago estava feito. O vexame estava consumado.
E agora, Almirante? Voltamos à estaca zero, sem técnico, com a imagem arranhada e com a torcida cada vez mais desconfiada. A pergunta que não quer calar é: até quando vamos aguentar tanto amadorismo?
Informações com base em reportagem do ge.globo.com.