Um feito para a eternidade, com a marca do Vascão!
Na galeria de heróis que vestiram a Cruz de Malta, existem nomes que ecoam pela eternidade. E um deles, talvez um dos mais gigantes e subestimados, é o de Edvaldo Izídio Neto, o nosso Vavá. Apelidado de “Peito de Aço” pela sua coragem absurda, esse homem não só empilhou taças em São Januário, como também colocou seu nome em uma lista tão seleta que dá até arrepio.
Sabe o que Vavá, Pelé, Zidane, o alemão Paul Breitner e Mbappé têm em comum? Todos eles são os únicos cinco seres humanos na história do futebol a marcar gols em duas finais de Copa do Mundo diferentes. E o primeiro a conseguir essa façanha, o pioneiro, o homem que abriu a porta desse clube exclusivo, foi o nosso Vavá. Um orgulho que é nosso, do povo cruzmaltino!
Leão da Copa, cria do Gigante da Colina
A história foi escrita com raça e suor. Na final da Copa de 1958, contra a Suécia, quando o Brasil precisava de heróis, lá estava Vavá para marcar os dois primeiros gols da virada histórica na vitória por 5 a 2. Quatro anos depois, no Chile, na final de 1962 contra a Tchecoslováquia, quem guardou o terceiro gol que selou o bicampeonato no triunfo por 3 a 1? Ele mesmo, o Peito de Aço.
Ele foi o primeiro a conseguir o feito. Depois dele, vieram os outros monstros sagrados:
- Pelé (1958 e 1970)
- Paul Breitner (1974 e 1982)
- Zidane (1998 e 2006)
- Mbappé (2018 e 2022)
Ao todo, foram 9 gols em Copas do Mundo, número que o coloca como terceiro maior artilheiro da Seleção em Mundiais, ao lado de outras lendas como Ademir Menezes e Jairzinho. Só Pelé e Ronaldo Fenômeno fizeram mais. É mole ou quer mais?
A raça vascaína que o Brasil aprendeu a amar
Vavá talvez não tivesse o mesmo brilho técnico de um Garrincha ou Pelé, seus companheiros de Seleção. Mas o que lhe faltava em firula, sobrava em entrega, em vigor, em oportunismo. Era a mais pura tradução da raça vascaína em campo. Era um guerreiro, um leão.
Relatos da época, que parecem tirados de um roteiro de filme sobre o Vasco, contam que ele chegou a jogar com uma fissura no pé. Em várias partidas, suas chuteiras terminavam rasgadas de tanto brigar por cada bola. Não à toa, além de “Peito de Aço”, ganhou a alcunha de “Leão da Copa”. DNA de Vascão, não tem jeito.
De São Januário para a história
Nascido em Recife, Vavá seguiu os passos do conterrâneo e ídolo Ademir Menezes, o “Queixada”, saindo do Sport direto para se tornar uma lenda no nosso Caldeirão. Chegou em 1952 e não precisou de tempo de adaptação. Em seu ano de estreia, marcou o gol do título estadual na vitória por 2 a 1 sobre o Bangu. Chegar e decidir, coisa de craque.
Ficou no Gigante da Colina até 1958, tempo suficiente para conquistar impressionantes 12 títulos e ajudar a transformar o clube num multicampeão internacional. Foram 148 gols em 259 jogos com a nossa camisa, números que o colocam como o oitavo maior artilheiro da história do Club de Regatas Vasco da Gama. Respeitem a nossa história!
Um amor cruzmaltino e o sonho que ficou
Vavá nos deixou em 2002, aos 67 anos, vítima de uma parada cardíaca. Mas sua paixão pelo futebol e pelo Vasco ardeu até o último suspiro. Em um relato emocionante ao ge, dez anos após sua partida, sua viúva, Miriam Malizia Izídio Neto, contou como era o nosso ídolo em seus últimos dias.
“Futebol foi até a hora de ele morrer. Ele ficava nos bares vendo os jogos, tomando um vinho espanhol. Ele adorava. Só falava nisso. Também falava dos gols que tinha feito, de como era tratado, das concentrações, dos treinadores. Ele tinha muito orgulho de tudo que aconteceu. Lágrimas vinham nos olhos quando ele falava sobre as Copas. Ele jogou com o coração”, recordou ela.
Porém, um desejo caminhou com o Peito de Aço até o fim. Um sonho não realizado que dói no coração de todo vascaíno. Evaristo de Macedo, seu amigo próximo, confidenciou qual era a grande lacuna na vida do nosso herói: “Nos últimos anos de vida, ele estava incomodado com isso. Não estava satisfeito, porque não teve uma grande oportunidade como treinador. Sentia falta disso. E como era vascaíno, muito vascaíno, o sonho dele era esse. Queria treinar o Vasco. Foi criado lá dentro”.
O Gigante queria voltar para casa. Vavá, o Leão da Copa, o Peito de Aço, o ídolo que o mundo reverencia, era, acima de tudo, um de nós. Um vascaíno fanático que sonhava em servir o clube do seu coração mais uma vez. Que sua história de raça, glória e amor incondicional ao Vasco jamais seja esquecida. Nossos heróis são eternos.
Informações com base em reportagem do ge.globo.com.