Um Oásis no Meio do Deserto: A Derrota que Revelou um Tesouro
A noite contra o Olimpia foi dura, torcedor. Levar de 3 a 1 e ver nossa situação na Sul-Americana ficar no fio da navalha dói na alma. Aquele plano de usar o torneio para testar o elenco e rodar peças… digamos que não saiu como o esperado. Foi um show de horrores em muitos momentos, mas no meio da poeira e da frustração, uma luz surgiu. E ela tem nome e sobrenome: Ramon Rique, 18 anos.
Enquanto a maioria dos reservas parecia perdida em campo, o garoto mostrou personalidade. A comissão técnica, mesmo na bronca com o resultado, considerou o saldo positivo quando o assunto é o nosso novo volante. Em meio ao caos, achamos uma joia. E que joia!
A Defesa que Treme e o Ataque que Não Acontece
Antes de falar do que deu certo, vamos botar o dedo na ferida. O que foi aquela defesa contra o Olimpia? Os três gols dos paraguaios saíram de bola aérea. TRÊS! É um problema crônico, uma maldição que parece não ter fim. A dupla de zaga com Cuesta e Lucas Freitas teve uma noite para esquecer, escancarando uma fragilidade que já conhecemos bem demais.
E não foi um caso isolado. Na Sula, o sistema defensivo inteiro ligou o sinal de alerta. O uruguaio Saldivia, quando foi titular, também não passou segurança nenhuma. Pelo contrário, foi protagonista de um gol contra grotesco, numa falha bizarra com o goleiro Daniel Fuzato na vitória magra contra o Audax Italiano por 2 a 1, lá no Chile. A gente venceu, mas o susto ficou.
Lá na frente, a coisa também não fluiu. Marino Hinestroza e Nuno Moreira, que jogaram os cinco jogos da competição, tiveram lampejos e apagões na mesma medida. Oscilaram demais. E o centroavante Brenner? Teve chances, mas não aproveitou. Chegou a ser preterido por David e Spinelli, o que já diz muito. A Sul-Americana, que era pra ser um laboratório, virou um filme de terror com pouquíssimos sobreviventes.
A Ascensão do “Reforço Caseiro”: Ramon Rique
Agora, vamos ao que interessa, ao motivo de ainda termos um pingo de esperança. Ramon Rique. Guarde esse nome. O moleque de 18 anos foi titular nos dois jogos contra o Olimpia e ainda entrou no segundo tempo contra o Audax. Não sentiu o peso da camisa. Jogou com a seriedade que a gente espera de qualquer um que veste o manto cruzmaltino.
O desempenho foi tão bom que ele não só ganhou moral, como foi efetivamente integrado ao elenco principal. Deixou de ser promessa da base para virar realidade no profissional. E não parou por aí. O garoto já entrou em campo pelo Brasileirão, o campeonato que realmente importa!
Ele esteve na vitória contra o Athletico, em São Januário, e na derrota amarga para o Internacional por 4 a 1, no Beira-Rio. E mesmo nesse placar elástico, foi dele a assistência para o nosso único gol. Ele mostrou que tem futebol e, mais importante, não se escondeu na hora da dificuldade.
Subindo na Fila e Ganhando Moral com o Chefe
A raça e o talento do garoto já renderam frutos. Ramon Rique ganhou pontos preciosos com o técnico Renato e, de quebra, já ultrapassou gente na fila do meio-campo. O JP, por exemplo, que começou no banco nos últimos dois jogos da Sul-Americana, viu o moleque passar voando por ele na preferência da comissão.
Essa é a mentalidade que a gente quer ver. Um jogador que aproveita a oportunidade, que mostra que quer estar ali, que briga por cada centímetro do campo. A Sul-Americana pode não ter sido prioridade, mas serviu para nos dar esse presente inesperado.
Blindado! A Multa Milionária do Novo Xodó da Colina
E o Gigante da Colina sabe o que tem em mãos. Rique, que chegou ao clube como meia esquerda e foi recuando até se firmar como volante, assinou seu primeiro contrato profissional no ano passado. O vínculo inicial ia até 2026, mas o Vasco foi esperto.
Havia um aditivo para estender o contrato até setembro de 2029, e o clube não vacilou: ativou a cláusula. Para tirar o nosso novo xodó de São Januário, o interessado vai ter que abrir o cofre, e com força. A multa rescisória é de 60 milhões de euros! Na cotação atual, isso dá cerca de R$ 346 milhões.
A derrota na Sula foi um balde de água fria, é verdade. Mas no futebol, às vezes, é na crise que surgem os heróis. A experiência com os reservas pode ter sido um fracasso, mas se o único resultado positivo foi encontrar Ramon Rique, talvez, só talvez, já tenha valido a pena. O tempo dirá, mas a esperança, essa é a última que morre no coração de um vascaíno.
Informações com base em reportagem do ge.globo.com.