A manhã deste domingo não foi de descanso para o torcedor vascaíno. O que nunca abandona, foi para a rua. Centenas de fiéis do Gigante se reuniram em frente à fachada principal de São Januário para mandar um recado alto e claro: a paciência acabou e o Vasco tem dono, que é o seu povo. E o povo quer a venda da SAF para Marcos Lamacchia!
Em um protesto convocado pelas principais torcidas organizadas, o clima era de cobrança, mas também de apoio. Apoio incondicional ao nosso presidente e ídolo, Pedrinho, que teve seu nome gritado a plenos pulmões. A torcida mostrou que está fechada com ele, custe o que custar.
Ao mesmo tempo, a revolta com os bastidores sujos da política do clube também ecoou pela Colina Histórica. Ex-dirigentes, exonerados na última semana, foram alvos de xingamentos e da ira popular. O recado foi direto, com uma faixa estendida no portão principal que resume o sentimento de todos nós.
A briga que a gente comprou
Vamos ser sinceros: a situação é de uma bagunça jurídica inacreditável. Na última terça-feira, uma decisão da 4ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro caiu como uma bomba, afastando Pedrinho do comando da SAF e nomeando uma interventora, a advogada Samantha Mendes Longo, por 60 dias. Sessenta dias de incerteza que o torcedor não está disposto a aceitar calado.
Por isso o protesto. A principal cobrança é para que a venda da SAF seja, enfim, concluída. Nosso presidente Pedrinho já garantiu em entrevista que Marcos Lamacchia segue confiante na transferência dos 90% dos ativos do nosso futebol. Mas a torcida quer mais que confiança, quer a assinatura no papel.
‘Está assinado e valendo’, diz o pai de Lamacchia
E a novela ganha mais um capítulo com as palavras do pai de Marcos, o empresário José Roberto Lamacchia, dono da Crefisa. Em entrevista ao portal ge, o empresário de 83 anos foi taxativo e botou fogo no parquinho. Segundo ele, o acordo para assumir o futebol do Vascão “está assinado e valendo”.
Uma declaração forte, que enche o coração da gente de esperança. Mas, como vascaíno sabe que a vida não é fácil, o próprio ge apurou que a coisa não é tão simples assim. O que existe, formalmente, é um memorando de entendimento (o famoso ‘MOU’), e não um contrato final de venda.
Ainda segundo a apuração, as discussões finais sobre como seria feito o reinvestimento no futebol com o dinheiro da venda de atletas seguem sendo um entrave. É o tipo de detalhe que, no Vasco, vira um problema gigantesco.
Os nomes da resistência
Na mesma entrevista ao ge, José Roberto Lamacchia não teve papas na língua e apontou quem, segundo ele, estaria criando resistência ao processo. Ele nomeou diretamente Felipe Carregal, ex-vice jurídico, e Paulo Salomão, ex-vice-presidente geral do clube.
Coincidência ou não, foram exatamente os dois nomes mais xingados pelos torcedores no protesto deste domingo em São Januário. Parece que a torcida vascaína já escolheu seus vilões e seus heróis nesta história.
O que fica claro é que o povo cruzmaltino não vai mais assistir passivamente à destruição do nosso clube por disputas de poder. O recado foi dado na porta da nossa casa. Queremos um Vasco forte, com quem ama o clube de verdade no comando e com um projeto sério para o nosso futebol. A bola agora está com a justiça e com quem ainda insiste em atrapalhar o futuro do Gigante. Mas uma coisa é certa: a torcida já tomou seu partido.
Informações com base em reportagem do ge.globo.com.